Uma das consequências da disputa pela liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV) é a abertura de espaço para a entrada de facções criminosas de outros Estados. Entre elas, o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Localidade de onde voltava, na tarde desta terça-feira (18), uma das lideranças da organização criminosa capixaba, Geovani Andrade Bento, o Vaninho, preso em uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Guarapari.
A chefia do PCV, hoje nas mãos de Carlos Alberto Furtado, o Beto, está ameaçada. Aos 40 anos, ele está sendo considerado pelos membros da organização como um "criminoso velho", que deixou "ser arrojado e que tem medo de morrer". Constatação que surgiu há pelo menos oito meses, segundo investigações a que a reportagem teve acesso. Há informações de que até na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), de onde Beto gerencia sua equipe, as ordens dele já não são as que prevalecem.
Esta disputa tem gerado instabilidade entre os traficantes e está por trás de alguns conflitos ocorridos nos últimos meses, incluindo os ataques a ruas e bairros de Vitória e até de outros municípios. Seria ainda responsável por outros impactos, como a entrada de outras facções, mudando o cenário de atuação em parceria com o Primeiro Comando da Capital, o PCC, de São Paulo.
Durante muito tempo, o PCV atuou na Região Metropolitana de Vitória em parceria com o PCC. Há diversos depoimentos de criminosos relatando a união em processos que tramitam na Justiça estadual. Mais recente, com a expansão do PCV para outros municípios do Espírito Santo e a entrada de novos membros, tem sido registrada também a presença do Comando Vermelho.
De acordo com investigações da polícia, há relatos de que alguns traficantes da facção capixaba já estão, inclusive, preferindo buscar refúgio em terras cariocas e, em decorrência disso, a relação com o Comando Vermelho os favoreceria. Um deles, inclusive, tem ligação muito próxima com Cosme de Aguiar Andrelino, um dos principais candidatos a substituir Beto no comando do PCV.
MUDANÇA PARA A SERRA
A região do Bairro da Penha, que envolve ainda os bairros de Gurigica, Consolação, Bonfim, Itararé e São Benedito, há anos tem sido a sede do PCV. Suas principais lideranças são oriundas destas comunidades, onde conhecem e contam com a ajuda de alguns moradores, muitos por intermédio do medo e das ameaças.
Mas a instabilidade causada pela disputa pelo comando do PCV tem ainda acirrado as disputas internas entre os vários grupos que compõem a facção, despertando atuações mais individualistas de alguns traficantes, que começam a agir por conta própria contra outros grupos. Um exemplo foram os tiroteios em morros do Moscoso, Piedade e Fonte Grande, no início de fevereiro. Atualmente, o Bairro da Penha é ocupado pela Polícia Militar.
Por isso, outra situação que tem sido cogitada é a transferência da sede da facção criminosa para o município da Serra, onde a gangue Trem Bala - braço armado do PCV - já está presente no bairro Central Carapina.
Outros bairros da Serra que sofrem com a influência do PCV são: Planalto Serrano - território de influência de João de Andrade, o Joãozinho da 12 -, Bairro de Fátima e Hélio Ferraz.