A gestação é um período de grandes transformações na vida de uma mulher; um momento mágico e turbulento. A gravidez, planejada ou surpresa, envolve expectativas, é sempre um grande desafio e período de muito cuidado. São vivências e sentimentos contraditórios, entre euforia e ansiedade.
A mulher passa pelas adaptações do corpo e psicológica. As alterações hormonais, a pressão externa, além, é claro, da responsabilidade com a nova vida que se desenvolve em seu ventre. O primeiro trimestre é sempre muito intenso. A preocupação com a saúde da criança contrasta com a preocupação pela própria saúde. É uma verdadeira batalha pela vida, de ambas.
Ainda existem as questões sociais que deixam qualquer mãe aflita. E o emprego? A vida em casa? E a vida sexual? Terá apoio da família ou do companheiro? Inúmeras são as questões que interferem a saúde psicológica da mulher durante nove meses de gestação. Exceto a garantia de um parto digno. Isso jamais deveria ser uma preocupação da gestante, é um dever do Estado.
Maternidades superlotadas e, uma delas, de referência na Grande Vitória, chegou a fechar por incapacidade de atender à demanda devido a falta de leitos
A mulher tem seus direitos enquanto gestante, que competem à Saúde Pública o atendimento digno e respeitoso, sem distinção de raça, cor, orientação sexual, religião, idade ou condição social; o Estado deve conferir à gestante o direito de ter conhecimento prévio das maternidades disponíveis para a realização de seu parto, direito a acompanhante antes, durante e após o parto no SUS; no momento do parto, saber o nome do profissional que realizará o procedimento para fortalecer a relação médico-paciente, e outros direitos.
Contudo, nos últimos dias, o que vimos foi um verdadeiro caos na saúde pública. As maternidades superlotadas e, uma delas, de referência na Grande Vitória, chegou a fechar por incapacidade de atender à demanda devido a falta de leitos. Gestantes de alto risco instaladas em enfermarias improvisadas, peregrinando e implorando por uma vaga para dar a luz a seus filhos, correndo todo o risco de parir e não ter vaga nas UTINs. Precisamos dar dignidade e respeito às mulheres capixabas antes, durante e após o parto, e, para tal, o gestor não pode, jamais, negligenciar às suas obrigações. Cumpra-se!
*O autor é ginecologista e obstetra, presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo