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Beatriz Seixas

Diagnóstico não basta. É preciso agir

No Espírito Santo, conhecer e entender as qualidades e as fraquezas das 78 cidades passa a ser possível com o Índice de Ambiente de Negócios, pela primeira vez publicado pelo Anuário de A GAZETA

Publicado em 04 de Agosto de 2018 às 17:41

Públicado em 

04 ago 2018 às 17:41
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas
Vista aérea de Vitória Crédito: Marcelo Prest
Chega a ser repetitivo e até cansativo o número de vezes que reclamamos do ambiente de negócios do país. Trabalhador, empresário, gestor público, qualquer cidadão, em algum momento, já se viu indignado e até desiludido com tantas dificuldades que fazem parte do dia a dia de quem precisa tomar decisões.
Dados de levantamentos mundo afora não deixam dúvidas da ineficiência interna sobre esse tema. Conforme revela pesquisa do Banco Mundial, Doing Business 2018, com 190 países, o Brasil ocupa o 125º lugar na avaliação sobre a facilidade para fazer negócios. É de envergonhar que umas das dez maiores economias do planeta ocupe posições abaixo de nações como Uganda, Gana e Tadjiquistão, apenas para citar algumas.
Por mais que esses números sejam desanimadores, são importantes para nos situar sobre quais pontos precisamos trabalhar e avançar. Nem sempre, entretanto, esse tipo de levantamento está à disposição da sociedade em esferas menores, como no caso dos municípios brasileiros, que apresentam uma variação gigantesca em seus indicadores socioeconômicos.
No Espírito Santo, conhecer e entender as qualidades e as fraquezas das 78 cidades capixabas passa a ser possível com o Índice de Ambiente de Negócios (IAN), que pela primeira vez é publicado pelo Anuário Espírito Santo, de A GAZETA, que será lançado amanhã. Essa ferramenta foi construída a partir de um conjunto de dados que envolvem PIB, formação profissional, acesso à internet, tempo de abertura e fechamento de empresas, saneamento, segurança, educação, entre outros indicadores.
Até pouco tempo, para conseguir fechar uma empresa em Cachoeiro de Itapemirim, era preciso que um secretário da prefeitura desse o aval para isso. Felizmente, o bom senso prevaleceu e essa regra foi extinta
A partir desse diagnóstico, o abismo que temos a sensação de existir entre um município e outro do Estado fica evidente nos números. No ranking do IAN, Vitória é a cidade que reúne as melhores condições para se fazer negócios, com 0,813 de nota em uma escala onde 1 é um excelente resultado e 0 é péssimo.
Pode ser que alguém argumente que a Capital estar no topo é um resultado previsível até pelo potencial econômico da ilha. Mas ter uma arrecadação expressiva não é garantia nenhuma de que o município vai ser capaz de facilitar a vida de quem quer empreender, como comprova Presidente Kennedy. A cidade do Sul capixaba está na lanterna, com uma pontuação de 0,314. Nem mesmo as milionárias receitas do petróleo, que a colocam em primeiro lugar na arrecadação per capita do Espírito Santo, fazem com que o local tenha bons resultados no quadro geral de ambiente de negócios.
Por isso, muito mais do que volumes vultosos de recursos, o que cada cidade precisa ter em mente é que passou da hora de descomplicar processos, formar capital humano de qualidade e ser mais ágil nas respostas para o cidadão e para o empresário. Só assim os municípios vão ser capazes de atrair investimentos para suas regiões e alavancar o desenvolvimento.
Embora a burocracia persista, é verdade que as discussões em torno desse tema vêm avançando no Estado. Várias iniciativas, como reduzir o tempo de abertura de empresas, estão sendo implementadas, e, situações absurdas, como depender da assinatura de um secretário para um negócio conseguir fechar suas portas, também já começam a ser eliminadas, como aconteceu em Cachoeiro de Itapemirim, onde a legislação condicionava o fechamento de uma empresa à canetada de um representante da prefeitura.
Bem, o diagnóstico está dado, agora cabe aos municípios agir!
BOLSA BARATA
Analistas do mercado financeiro estão otimistas com o comportamento das ações para médio e longo prazo. A avaliação é que os próximos anos vão ser bons para quem tem investimentos de risco. Flávio Mattedi, da Valor Investimentos, diz que o lucro das empresas está aumentando, que elas já têm capacidade instalada para expandirem suas produções e que, com as taxas de juros mais baixas, a dívida das companhias está menor. “A Bolsa está barata. O preço médio das empresas está baixo e, como existe a perspectiva de retomada da economia, a expectativa é que os lucros avancem.”
ESTRESSE NO CURTO PRAZO
No curto prazo a história já é outra. Com as eleições chegando, a tendência é que o mercado passe por momentos de estresse. Segundo especialistas, tudo fica exagerado nesse período. Tanto o entusiasmo quanto o pessimismo estão sempre em cena. Nessas horas, pode até ser um bom momento para ganhar dinheiro, mas aí é pra quem tem sangue frio.
CENA INFANTIL
Dois coleguinhas de 4 anos brincando dão uma lição para quem ainda não entendeu que o mercado de trabalho é para todos e todas! “Somos homens da caverna e estamos protegendo e vigiando a casa porque as mulheres saíram para trabalhar”, conta um dos meninos em meio a alguns dinossauros de brinquedo. Quem sabe, com essa geração crescendo com esse pensamento, nos próximos anos, o abismo salarial – que em alguns casos chega a 75% de diferença – seja reduzido e até extinto.
MENOS PÓ E MAIS VAGAS
A Vale vai anunciar amanhã investimentos de mais de meio bilhão de reais em ações para minimizar os impactos ambientais. A expectativa é que sejam criados cerca de 1.500 empregos.
Ô TREM BÃO
Mineiros já estão comemorando a possibilidade de a Vale construir um trecho da ferrovia até Anchieta. Tem gente reivindicando uma estação na Praia do Morro, em Guarapari. O ponto na praia preferida dos nossos vizinhos é a menor das dificuldades nessa história.
EM BUSCA DE SOLUÇÕES
O comércio exterior tem uma pauta que não é “novidadeira”. Não pela falta de propostas, mas pelo fato de inúmeros gargalos existentes no ES permanecerem sem solução, como a ausência de um porto de águas profundas. Para o presidente do Sindiex, Marcilio Machado, que tem participado de agendas com os presidenciáveis, muitos candidatos falam de redução da burocracia governamental, mas para ele é preciso atacar os problemas de forma mais objetiva. “Podemos indicar algumas alterações em instruções normativas e portarias de órgãos intervenientes do comércio exterior que se encontram obsoletas e que podem ser eliminadas para aumentar a produtividade da iniciativa pública e a competitividade do setor”, sugere.
GUIADA PELA INOVAÇÃO
O espírito inovador de empreendedores do Estado tem ganhado o mundo. Neide Sellin, que foi professora de robótica por oito anos em escola pública, desenvolveu um robô que faz as vezes de um cão-guia. A iniciativa de Neide, que surgiu a partir de suas experiências em sala de aula com alunos cegos, foi reconhecida em Singapura, onde recebeu um prêmio que valoriza ideias criativas.
Ela conta que os planos para este ano é colocar 350 unidades no mercado, número muito superior às 10 vendidas em 2017. O cão tecnológico, chamado Lysa, é capaz de identificar obstáculos na rua e procurar o local mais seguro para o dono.
“Nosso desafio é oferecer uma tecnologia que auxilie o dia a dia de pessoas com deficiência visual. Também queremos reduzir os custos do produto, que é vendido por R$ 9.800. Tudo vai depender da escala de produção. Mas, mesmo assim, o investimento é menor do que o de um cão-guia tradicional, que para ser treinado custa em média R$ 50 mil.”

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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