
Manoel Goes Neto*
Qual seria o motivo de o Dia Nacional do Samba cair em 2 de dezembro? Não é devido ao aniversário da Tia Ciata, a mãe negra do samba, que cedeu sua casa e sua vida para o estilo nascer no Rio de Janeiro. Também não é quando gravaram “Pelo Telefone”, samba de Donga, considerado o primeiro samba a ser registrado no Brasil. Muito menos quando Ismael Silva e os sambistas do Morro do Estácio fundaram, em 1928, a “Deixa Falar”, a primeira escola de samba do país.
O Dia Nacional do Samba surgiu em 1963, por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso, que nunca tinha estado na Bahia, mesmo já tendo composto o seu grande sucesso “Na Baixa do Sapateiro”. Foi no dia 2 de dezembro que o mestre Ary visitou Salvador pela primeira vez. Esta data comemorativa se espalhou pelo Brasil, e virou festa nacional.
Duas cidades comemoram com muitos eventos o Dia Nacional do Samba: Salvador e Rio de Janeiro. A capital baiana sempre promove grandes shows no Pelourinho, com seus ótimos e desconhecidos sambistas locais, mas recebendo convidados ilustres. Já passaram por lá Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Elza Soares, Monarco e Leci Brandão.
No Rio de Janeiro, foi oficializada por lei estadual em 1964, a divertidíssima festa que hoje fica por conta do Pagode do Trem, que completa neste ano a sua 23ª edição, partindo da Estação da Central do Brasil, no Centro do Rio. Depois que começou este evento, descobriu-se que, há 80 anos, o mestre Paulo da Portela, uma das mais importantes personalidades do bairro e do samba, sempre às 18h04, junto com os seus companheiros de samba, faziam o mesmo percurso para Oswaldo Cruz e Madureira.
Naquela época, o samba era perseguido pela polícia. Os sambistas faziam suas reuniões e promoviam animadas rodas de samba dentro dos vagões do trem. Hoje, o Pagode do Trem faz parte do calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro com grande sucesso a cada ano. Acontece apenas uma parada do trem na Estação de Mangueira, para apanhar a velha guarda verde e rosa, ponto alto do evento.
Aqui no Espirito Santo, temos vários eventos programados para o Dia Nacional do Samba, e a grande novidade foi a aprovação do projeto da deputada Cláudia Lemos, que cria a “Comenda Dona Ivone Lara” para homenagear os sambistas do Estado no mês de dezembro, no Dia Nacional do Samba, além de homenagear a grande compositora e cantora carioca, conhecida como Rainha do Samba.
*O autor é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES