
Luísa Cortat Simonetti Gonçalves e Sirval Martins dos Santos Júnior*
Hoje, cidades e cidadãos de todo o mundo realizam atividades em defesa do meio ambiente e em prol da qualidade de vida nos centros urbanos. Surgido na França no final da década de 1990 e adotado no Brasil a partir de 2001, o movimento “Dia Mundial Sem Carro” tem a finalidade de estimular a reflexão sobre o uso de automóveis.
Vivemos atribulados com compromissos e com uma rotina cada vez mais intensa. A necessidade de dar conta de todos os afazeres facilita a dependência em relação ao carro. Isso reflete na sociedade. Segundo a Confederação Nacional de Transportes, a frota de veículos na Grande Vitória em 2012 era de aproximadamente 900 mil carros (uma média de um carro para cada cinco habitantes). O Detran estima que este número possa se elevar até 1,1 milhão de carros até o final de 2018.
Embora possa ser prática individualmente, essa utilização excessiva de carros impacta negativamente na qualidade de vida, causando inúmeros problemas ambientais e até mesmo de saúde. A qualidade do ar das cidades fica comprometida, já que os veículos emitem um grande volume de poluentes, dentre os quais monóxido de carbono e fuligem. Uma das consequências é contribuir para o efeito estufa e para as mudanças climáticas. Há também o problema da mobilidade urbana, já que enfrentar os congestionamentos no trânsito virou rotina da realidade do capixaba. Tais engarrafamentos elevam o nível de estresse, o que, somado ao cotidiano sedentário que comumente acompanha a utilização de carro, agrava os impactos sobre a saúde.
Fatores que extrapolam os individuais também são muito complexos de contornar. Faltam ônibus, ciclovias, faixas de pedestres, calçadas regulares, rampas para cadeirantes... É inegável que houve grandes avanços, como a construção de ciclovias, a instituição de um programa de locação de bicicletas e a inserção de faixas exclusivas de ônibus. Mas ainda há muito o que melhorar. É necessário um acesso amplo e uma utilização democrática do espaço urbano. Até mesmo melhorias na segurança pública podem estimular o uso de alternativas.
E o que tudo isso tem a ver com você? Não espere uma “resposta” do poder público: faça a sua parte. Neste dia 22, adote uma atitude mais consciente do uso dos meios de transporte e faça você mesmo a mudança para sua cidade. Vá caminhando, vá de ônibus, vá de bike! Redescubra a sua cidade. Quem sabe isso até não abre espaço para novos hábitos? Quem sabe isso não agiliza as ações estatais? A natureza, nossas cidades e o futuro agradecem!
*Os autores são, respectivamente, professora e doutoranda da FDV; graduando em Direito na FDV