Cada vez mais vemos crianças e adolescentes se colocando em situações de risco motivados pelos "desafios" que surgem nas redes sociais. Nos assustamos com as histórias e nos questionamos como agir.
A necessidade de superar desafios e provar, para si e para os demais, sua força e competência é algo muito antigo na humanidade. Todas as culturas possuem ritos de passagem, que realçam aspectos socialmente relevantes. Por exemplo, o rito de entrada das crianças na vida escolar, ou os testes de seleção de emprego. Os desafios, quando socialmente respaldados, fazem parte de rituais culturais que fortalecem valores e princípios.
Portanto, a questão não está nos desafios em si, nem mesmo nas redes sociais – uma forma moderna de compartilhá-los. O aspecto que nós, adultos que convivemos com crianças e adolescentes, precisamos estar atentos é: quando e como esses desafios estão chegando até eles? Pela pouca experiência de vida, eles são imaturos – e essa imaturidade é o que os tornam vulneráveis. Eles querem ter popularidade, afirmar sua identidade, e entram nos desafios em busca de likes e admiradores, sem perceber o risco que existe naquilo que estão aceitando fazer. Protegê-los dos riscos é nossa tarefa.
Portanto, precisamos conhecer o que está acontecendo para poder conversar de forma clara e madura com eles. A parceria família-escola é fundamental nesse trabalho protetivo, trabalhando juntos para mostrar quais os desafios valem a pena serem superados: aqueles que nos convidam a sermos mais éticos e que nos motivem a mostrar o melhor de nós. Precisamos ensiná-los a distinguirem desafios éticos dos perversos: se o desafio causa dor e sofrimento, ele é ruim e, portanto, deve ser evitado.
Isso tudo pode ser feito com o diálogo: a atitude de ouvir o que eles têm a dizer, entendê-los e, somente então, orientá-los. Essa é a atitude protetiva. Enquanto nossas conversas forem de crítica, briga e proibição, menos saberemos o que fazem, menos poderemos ajuda-los, e mais vulneráveis eles continuarão sendo. Para finalizar, deixo um desafio: aprender a dialogar.
* A autora é psicóloga, especialista em Psicologia da Educação e Terapia Familiar