A defesa do ex-policial militar Lucas Torrezani, julgado nesta quarta-feira (20) pela morte do músico Guilherme José Rocha Soares, no dia 17 de abril de 2023, no hall do condomínio onde moravam, em Jardim Camburi, em Vitória, alegou que o réu "tentou evitar o conflito a todo momento". A afirmação foi feita pelo advogado Charles Boneli.
Na apresentação da defesa, durante a fase de debates do Tribunal do Júri, foi apontado que a vítima chegou ao hall do prédio, onde estavam o réu e os amigos, com um comportamento que não deu ao militar outra alternativa a não ser reagir à agressão.
“O músico estava alterado, nervoso, xingando e com as mãos nas costas, indicando potencial risco à vida dos presentes. E mais: sob o efeito de álcool e outras drogas, conforme confirmado em laudo”, disse o advogado.
Boneli destacou aos jurados que as imagens de vídeo mostram os segundos em que o PM tenta impedir que o músico tome a sua arma, e que o tiro inicial atingiu o braço. “Ele não tinha como saber, naquele momento, que o desfecho seria a morte.”
O defensor relatou ainda que o primeiro delegado a avaliar o caso concluiu, após analisar as imagens, que o ex-PM havia agido em legítima defesa. “Estamos diante de uma grande injustiça, com Lucas preso há três anos.”
Segundo a defesa, o cenário indicado pelo vídeo é diferente do apresentado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O advogado reforçou que, em nenhum momento, a conduta do ex-PM teve a intenção de matar o músico.
“O que temos é uma situação em que o músico chegou agressivo, xingando e buscando o confronto. Em nenhum momento Lucas aponta a arma com a intenção de disparar, mas sim para evitar que ela fosse tomada. Ele encosta a arma no peito de Guilherme de forma moderada, apenas para sair da situação de perigo. "Quando a vítima é empurrada, ocorre o disparo", relatou Boneli, acrescentando que o ex-militar foi o primeiro a acionar o Samu.
Em outro momento do julgamento, a banca de defesa ressaltou que, se a vítima tivesse conseguido desarmar Lucas, o resultado poderia ter sido trágico para outras pessoas. “Estaríamos aqui com outras vítimas”, pontuou a advogada Anna Karla Santos, que também atua no caso.
Aos jurados, a defesa reafirmou que não houve, por parte do réu, a intenção de matar — muito menos da forma apontada pelo MP, por motivo fútil e sem dar à vítima a chance de defesa. “A certeza que tenho é de que Lucas não queria o resultado morte. Não estamos pedindo a absolvição, mas que seja reconhecido que não houve dolo [intenção]”, finalizou.