Senadores e deputados têm se refestelado com a fragilidade do governo Temer para aprovar uma série de projetos que jogam para o ar a responsabilidade fiscal – aumenta gastos por um lado, reduz receitas por outro, numa tentativa de agradar certos setores da economia. Tudo à revelia do equilíbrio das contas públicas.
Os disparates dessa farra fiscal têm sido tantos e tamanhos que economistas avaliam um impacto de R$ 100 bilhões no Orçamento. Em apenas uma sessão, na terça-feira (10), o Senado derrubou vários vetos de Temer, que vão custar aos cofres públicos cerca de R$ 13 bilhões somente neste ano. Na pauta desse dia fatídico estavam, por exemplo, o Refis para micro e pequenas empresas e o refinanciamento das dívidas rurais (Funrural).
No dia seguinte, mais uma bomba para as finanças do país. Pressionado por servidores, o Congresso Nacional alterou o texto das diretrizes orçamentárias para 2019, liberando reajustes salariais do funcionalismo e, de quebra, permitindo a criação de novos cargos públicos. Ou seja, além de abrir as porteiras e dificultar que o caixa brasileiro feche 2018 no azul, os parlamentares ainda deixam um abacaxi para quem assumir a Presidência no próximo ano.
O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, já fez apelos, mas não tem surtido efeito. Especialistas em política econômica também criticam o caráter irresponsável e eleitoreiro das decisões parlamentares. Sem pulso do Planalto e com forças pulverizadas na oposição, as medidas têm sido aprovadas na Câmara e no Senado em clima de festa. De fim de festa, para ser mais exato. Se nada for feito, logo o Brasil sofrerá com uma enorme ressaca, ainda maior do que a que já nos abate.