Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Do megaleilão à megafrustração
Excedente da Cessão Onerosa

Do megaleilão à megafrustração

Oferta de quatro áreas do pré-sal não teve os resultados esperados pelo governo federal

Publicado em 06 de Novembro de 2019 às 18:22

Públicado em 

06 nov 2019 às 18:22
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Navio-plataforma Cidade de Itaguaí opera em área do pré-sal da Bacia de Santos Crédito: Stéferson Faria/Petrobras
O resultado do leilão do excedente da cessão onerosa, realizado na manhã desta quarta-feira, trouxe frustrações quanto à arrecadação para os cofres públicos e também quanto à participação das grandes companhias no certame.
Diferentemente do que foi propagado por fontes do governo federal e do próprio setor, a concorrência não foi acirrada e nem “choveu dinheiro estrangeiro”. Dos quatro campos disponíveis na oferta, apenas dois foram arrematados. Detalhe, ambos sem nenhum ágio. E a pouca participação externa se limitou a duas petrolíferas chinesas que entraram cada uma com uma participação de tímidos 5%.
Mas o “insucesso” - coloco entre aspas porque não podemos dizer que um leilão que arrecada R$ 70 bilhões tenha fracassado - não deve recair simplesmente na conta dos players internacionais. A responsabilidade vem da própria União e da forma como ela conduziu o processo.
Desde o início, integrantes do governo prometeram ganhos bilionários e até chegaram a usar esse recurso, antes mesmo de tê-lo em mãos, como moeda de troca nas negociações junto ao Congresso, aos Estados e aos municípios. Ao alardear números que ainda não eram concretos e ao prometer que esse dinheiro ajudaria a financiar o novo Pacto Federativo o governo federal se precipitou.
Claro que o presidente Jair Bolsonaro, o ministro de Minas e Energia, o ministro da Economia, representantes da ANP e tantas outras autoridades deveriam demonstrar ânimo com a realização do leilão, mas ao criarem expectativas altas demais acabaram construindo uma armadilha para si próprios. Qualquer número abaixo do prometido, traria inevitavelmente decepção. Foi o que aconteceu. A arrecadação caiu dos esperados R$ 106,5 bilhões para R$ 69,96 bilhões.
Interesse de fato existia e ainda existe no petróleo brasileiro. O país é hoje uma das principais e mais promissoras províncias petrolíferas do mundo. Empresas de fora dizendo que querem investir por aqui não é blefe.
Acontece que alguns fatores afastaram o ânimo e o apetite dos players, como as elevadas indenizações que a Petrobras exigia em função de investimentos já realizados na região e até mesmo os altos valores de bônus de assinatura.
Tudo isso deve servir de aprendizado para o governo que ainda vai ter a chance de promover muitos outros certames e reverter a imagem de frustração que ficou com este megaleilão.
Apesar das falhas, o importante é que a atual gestão enxerga que ofertar as áreas petrolíferas é o caminho para aproveitar essa riqueza natural. Afinal, o país já perdeu muito tempo e investimentos quando deixou de realizar leilões. Agora, precisa ter o pé no chão e criar condições que aproximem os interessados dos negócios.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
O que necropsias revelam sobre o risco de morte cardíaca entre fisiculturistas
Imagem BBC Brasil
Trump fala em 'vulnerabilidades chocantes' do sistem eleitoral às vésperas das eleições de meio de mandato dos EUA
Imagem de destaque
Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição mais importante do mundo em 2026 sem margem para erro, diz analista

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados