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Bastidores políticos da semana

Dary, o inimigo número um do presidente da Assembleia no plenário

Aliado do governo Casagrande, deputado Dary Pagung tem travado uma guerra de nervos com Erick Musso, que passa por exonerações de assessores do primeiro. Confira essa e outras informações

Publicado em 07 de Dezembro de 2019 às 12:00

Públicado em 

07 dez 2019 às 12:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Dary Pagung e Erick Musso são adversários na Assembleia Crédito: Guilherme Ferrari
A guerra política deflagrada nos últimos dias entre o atual comando da Assembleia e o governo Casagrande também acabou expondo algumas microbatalhas entre deputados no plenário. Nenhuma delas, hoje, é mais “pessoal” do que aquela travada entre Erick Musso (Republicanos) e Dary Pagung (PSB). Este gostaria de ser presidente da Assembleia desde a eleição passada da Mesa Diretora, em fevereiro deste ano. Erick não lhe deixou espaço, reelegendo-se presidente para o biênio 2019-2021, quase por aclamação dos demais deputados.
Dary não ficou só sem a presidência da Mesa. Perdeu a presidência da poderosa Comissão de Finanças, que era dele no biênio passado. Restou-lhe o comando da modesta Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte. Aos poucos, também foi perdendo cargos.
Conforme a desavença entre os dois foi se acentuando ao longo do ano, Erick foi retirando o espaço político que Dary mantinha na Casa, deixando-o praticamente à míngua. No dia 5 de setembro, o presidente exonerou a supervisora da Comissão de Defesa do Consumidor, Maria Cecília Ribeiro, indicada por Dary. “Realmente, fui surpreendido pela exoneração da servidora”, conta o deputado. Era a última das moicanas na comissão presidida por ele. Seus comissionados, hoje, concentram-se em seu próprio gabinete. Os outros indicados por Dary, outrora acomodados na referida comissão, já tinham rodado um a um, por decisão do presidente da Casa, no decorrer deste ano.
Segundo relatos internos, a política interna de Erick, na divisão dos cerca de 300 cargos comissionados diretamente subordinados à Mesa (e portanto livremente providos pelo presidente), tem sido “aos meus aliados, tudo; aos adversários, nada (ou quase nada)”. Dary, como ninguém, tem provado esse “nada”.
Essa situação ajuda a entender por que, em todo o episódio da reeleição antecipada (e frustrada) de Erick para o biênio 2021-2023, Dary foi, desde o princípio, a voz mais contundente entre os 30 deputados contra a manobra liderada pelo presidente. Na relação com a Mesa atual, ele já não tem nada a perder.
Desde o pontapé inicial da operação de Erick, Dary veio a público condenar a PEC de autoria do presidente que viabilizaria a manobra: em uma nota assinada por ele, lançou a comparação com a Era Gratz, falando em “retrocesso” a “tempos sombrios” e em “estruturas viciadas”. “Eles [atuais ocupantes da Mesa] querem com isso assegurar as prerrogativas decorrentes dessas funções, e para isso não limitam suas condutas e nem se pautam por princípios éticos e morais, como já vimos outrora.”
Essa nota – nitidamente escrita com tinta do Palácio Anchieta – foi emitida por Dary no dia 7 de novembro, data em que Erick recolheu assinaturas de colegas (mas não de Dary) para apresentar a sua PEC que deixaria móvel a data da eleição da Mesa Diretora que comandará a Assembleia só daqui a 14 meses.
Asfixiado na Assembleia, Dary foi acolhido pela administração de Casagrande, feito vice-líder do governo na Assembleia e filiado ao PSB do governador, pelo qual pode disputar a Prefeitura de Baixo Guandu em 2020. A participação do deputado em todo esse episódio na Assembleia diz muito sobre como o governo encarou toda a movimentação de Erick e do grupo do presidente. Dary foi a válvula, aliás uma das válvulas, pela qual o Palácio Anchieta escoou sua indignação e foi para a briga com Erick e sua tropa.

XAMBINHO COM ERICK, MARCELO, AMARO ETC.

Mais jovem deputado da Assembleia atualmente, Alexandre Xambinho foi quem presidiu a sessão preparatória em que a chapa capitaneada por Erick Musso foi eleita para a Mesa Diretora no biênio 2021-2023, no dia 27 de novembro (nesta quarta, 4, voltaram atrás). Embora esteja na Rede Sustentabilidade, Xambinho tem convite forte para disputar a Prefeitura da Serra pelo Republicanos, partido de Erick, do deputado federal Amaro Neto e do diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro. Desde o início deste ano, Xambinho está muito próximo do trio. Tem, inclusive, aliados na direção do Republicanos na Serra, empossada por Carneiro em agosto.
Da esquerda para a direita: Erick Musso, Alexandre Xambinho, Amaro Neto e Roberto Carneiro Crédito: Arquivo

FUTURO PRESIDENTE DO TJES SOB PRESSÃO

Está certo que a chapa de Erick Musso renunciou, mas de todo modo o desembargador Ronaldo Gonçalves de Sousa assumiu uma delicada tarefa, a poucos dias de tomar posse como presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJES): por sorteio, caiu sobre sua mesa o mandado de segurança apresentado pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), pedindo a anulação da sessão surpresa em que a chapa de Erick foi eleita, no último dia 27.
O autor é Gandini, aliado do governo Casagrande, mas o Palácio Anchieta tem grande interesse em uma decisão favorável ao deputado. Já o desembargador Ronaldo tomará posse na próxima quinta-feira (12) como novo presidente do TJES, até dezembro de 2021 (ele foi eleito na data certa, no comecinho de outubro). Terá total interesse em manter um bom relacionamento com o Poder Executivo – que define o orçamento do Judiciário estadual –, mas também com a direção do Poder Legislativo, pelo qual passarão os projetos de interesse de sua gestão pelos próximos dois anos.

A REAPROXIMAÇÃO DO GOVERNO COM DEPUTADOS REBELADOS

Ao longo desta semana, depois da “faca nas costas” que ele tomou de deputados aliados no episódio da reeleição de Erick, emissários do governador Renato Casagrande (PSB) têm entoado a palavra de ordem: “repactuação política” com a base. Nos últimos dias, houve alguns sinais dessa “repactuação” com alguns deputados que andaram se rebelando no plenário.
No dia 25 de novembro, durante a votação dos dois primeiros projetos da reforma da Previdência de Casagrande, o deputado Marcos Mansur (PSDB), não tão governista, não compareceu. Janete de Sá (PMN), essa sim bem governista, votou contra.
Já na última quinta-feira (5), Mansur publicou foto ao lado de Casagrande em suas redes sociais, tirada em um evento no sul do Estado (seu reduto).
Renato Casagrande e Marcos Mansur em evento no sul do Estado Crédito: Facebook de Marcos Mansur
Quanto a Janete, a deputada assinou, na última terça-feira (3), ao lado do novo líder do governo, Eustáquio de Freitas (PSB), o projeto que eleva em 3,5%, a partir deste mês, os salários do governador, da vice-governadora e dos secretários de Estado.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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