Fernanda Ronchi*
Sabe-se que a dor, o sofrimento e a morte são constantes na prática médica. Mesmo assim, muitos profissionais possuem dificuldade em lidar com essas questões e cuidar de doentes incuráveis ou em estágios terminais. Quando os cuidados médicos não são mais suficientes, pode gerar uma sensação de incapacidade.
Os cuidados paliativos são aqueles oferecidos ao paciente fora de possibilidade de cura para uma melhor qualidade de vida. Eles são prestados por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros, a fim de atingir todos os aspectos dos cuidados relacionados à sua área de atuação. O paciente precisa ser cuidado em um ambiente onde existam condições de controlar quaisquer sintomas que causem desconforto.
Em termos de medicina baseada em evidências, os cuidados paliativos, além de melhorarem a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, reduzem o uso de recursos na Saúde. A população está envelhecendo e a demanda por cuidados paliativos está em crescimento.
No Brasil, a sistematização do cuidado multiprofissional, que era considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como incipiente, passou por um avanço histórico. No último dia 31 de outubro, durante a 8ª Reunião Ordinária da Comissão de Intergestores Tripartite (CIT), foi aprovada oficialmente a Política Nacional de Cuidado Paliativo para o Sistema Único de Saúde (SUS). A reunião ordinária da CIT é a maior instância que existe no SUS, com representantes da federação, Estados e municípios.
A resolução estabelece como meta do SUS oferecer para toda a rede que atende um cuidado paliativo de qualidade e baseado em evidências, de acordo com as diretrizes da OMS. Dessa forma, este documento guia e especifica um objetivo comum a ser seguido pelo SUS.
Trata-se de um avanço para pacientes, familiares, médicos e toda equipe multidisciplinar. Enfim, uma conquista para a sociedade como um todo.
* A autora é advogada