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Segurança pública

Crítica de Gizelly à abordagem policial a negros é debatida por leitores

Em conversa no "BBB 20", a advogada criminalista capixaba usou Jardim da Penha como exemplo para falar da diferença de tratamento dispensado pelos policiais a jovens brancos do bairro

Publicado em 18 de Fevereiro de 2020 às 15:58

Públicado em 

18 fev 2020 às 15:58

Colunista

Gizelly Bicalho chamou a diferença de tratamento entre brancos e negros de "seletividade penal" Crédito: TV Globo/ Reprodução

Em conversa na tarde de segunda-feira (17), no "BBB 20",  a advogada criminalista Gizelly Bicalho criticou o que chamou de "seletividade penal" nas abordagens policiais. Nascida em Vitória, no Espírito Santo, ela usou o bairro Jardim da Penha como exemplo do tratamento diferenciado dispensado pelos policiais aos jovens, comparado ao recebido pelos negros da Capital. 

"Você sabe o que é um menino negro descendo o morro correndo, às vezes, para jogar bola? A polícia vê e leva para a delegacia. Porque no bairro em que eu moro, classe média alta, Jardim da Penha, galera fuma maconha no meio da rua e polícia não para, não leva. Porque é seletividade", comentou a advogada.

A capixaba seguiu com a comparação: "Um negro descendo o morro só pode estar traficando ou matando alguém. Porque no meu bairro um branquinho andando com cigarro não é maconha", completou.

Questionada, a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) informou, por meio de nota, que "age de forma técnica e isenta nas situações em que constate o cometimento de algum delito, não sendo prática institucional o preconceito racial ou qualquer outro que o valha para justificar suas intervenções".

Nas redes sociais de A Gazeta, a declaração da sister levantou debate entre os leitores, com opiniões diversas. Acompanhe alguns comentários:

Já vivi as duas realidades. Morar no morro e morar em bairro de classe média. A polícia não atua da mesma forma com as pessoas dessas duas realidades. Não adianta falar que é mimimi. Enquanto muitos polícias fazem vista grossa no bairro dos ricos, muitas vezes em bairro de pobre usam do abuso de autoridade. Isso é fato. Pobre não tem advogado e nem voz pra brigar na Justiça por arbitrariedades policiais. Agora, mexe com um filhinho de papai ou o próprio papai. Segurança pública e justiça no Brasil são um peso e duas medidas! (Rick Buter)

★

Pura realidade deste país elitista, que acha que um dia poderá dar certo sem pensar na integração e nas oportunidades de pessoas que nascem no meio desfavorável. Se o Brasil ajudar a integrar os mais desfavorecidos já deu meio caminho para chegar a mais igualdade social e a se comparar a países como o Portugal, Espanha ou Itália. No momento estamos longe disso. (Vitoria Hellen)

★

Sabe porque a polícia não aborda esses usuários citados por ela? Pois na maioria são filhos de juízes, médicos, promotores e têm uma certa preocupação de terem problemas com a instituição. Imagine na estampa do jornal: “Filho de juiz é preso fumando maconha na praça de Jardim da Penha”. Já um negro é filho de quem? Seu Zé porteiro, dona Maria Faxineira? A realidade do sistema é essa, julgam pela cor da pele, infelizmente. Mas poucos têm a coragem de falar. O mundo está assim. (Aloir Inácio)

★

Sou moradora de Jardim da Penha. O que percebo que na Pracinha do Epa e em qualquer outra é que os policiais fazem vista grossa com qualquer um! Dá uma olhada na praça e veja como está a realidade dessa comunidade! Independentemente da classe social, não existe abordagem. (Daniela Gabriel)

★

Sei lá, hein. Acho difícil a polícia ver alguém fumando maconha e passar direto, seja quem for. Claro que existem abusos como ela disse na primeira situação. (Vinicius Afonso Lima)

★

Sou negro, nunca levei geral de polícia. Conheço vários amigos de comunidade que são estudantes, trabalhadores e até polícia. Já joguei bola com os amigos de comunidade, era tudo de boa. E outra: se a polícia te parar, está fazendo o trabalho dela. Quem é inocente e trabalhador não tem medo de polícia. Mimimi... (Helcimar Dias)

★

Helcimar Dias, bacana a sua experiência e eu fico até feliz em ler, mas não podemos medir com a nossa régua a realidade do outro. Infelizmente isso que ela está relatando existe e é gritante em nossa sociedade. (Andressa Keller)

★

Quando vou ao shopping, a restaurantes e lojas vejo os olhares e até comentários e risadinhas... No shopping, eu ganho segurança pessoal dos funcionários. Quando saio de carro, ando com os vidros levantados, pois já fui parado pela polícia por estar dirigindo um carro bom. (Moises Ramos)

★

Classe média alta não, menos por favor! E quem disse que polícia tem culpa nisso? Ela cumpre ordem, o problema é a Justiça e seu Código Penal, prende de manhã e à tarde está solto. É a lei que temos no momento! Uso de maconha e outras drogas parece que está liberado geral, se a Justiça não pune e as cracolândias só triplicam! Vai chorar com quem? (José Maria Gonçalves)

★

Não importa o que ela disse, classe média alta. Tá errado? O que importa é a verdade dita. Média , alta, baixa, sem limites de classe, poeira, abaixo da poeira, não deveria ser assim. (Andressa Grasser Xavier)

Gente, falta uma reflexão geral a respeito disso. Ex: Se o cenário ocorre em bairro "nobre" ou não, a contabilidade é a seguinte: todas as mazelas que passam na mídia [armas, drogas, etc.] são frutos da contribuição do usuário que aloca seu dinheiro. O problema não é questão de bairro x ou y, é alguém alocando seu dinheiro e o outro tendo lucro. Enquanto existir essa demanda, o cenário continuará o mesmo. (Silvio Neves)

★

Errada ele não está, infelizmente. A gente precisa ter humildade e coragem de enxergar essa realidade. (Jordan Alencar)

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Com essas palavras ela honrou o que estudou e vivenciou durante a graduação em Direito. Eu, como acadêmica em Direito, penso igualmente. (Adelaide Santtana)

★

Morei anos no morro e há quatro meses moro em Jardim da Penha. Observando o rolê aqui, percebi que tem pracinha que serve de ponto pra droga. Mas não, em Jardim da Penha é encontro de jovens, não é tráfico! (Raisa Dantas)

★

Pois é, lá no morro onde você morava é onde fabrica e vende para esses usuários. Melhor ir lá e acabar com a venda e a produção ou com quem consome? (Glauber Bastos)

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Quem consome financia o tráfico. São os clientes que mantêm o negócio de pé. Se não houvesse consumidores, não teria venda. O dinheiro dos usuários é que promove tudo e faz tudo acontecer. (Luana Dias T. Borges)

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Morro não é referência pra laboratório. Eles mudaram de tática faz tempo, vários laboratórios foram estourados em bairros nobres da Grande Vitória. (Juliana Capucho)

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No meu ponto de vista, no morro existem armas e tráfico concentrado, na pracinha existem usuários! A diferença é essa! Vender drogas é ilegal, assim como vender mercadoria sem nota fiscal também é, mas o tráfico está sempre em confronto com a polícia. (Junior Silva)

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Existe venda e consumo no morro e em Jardim da Penha. A abordagem permanece sendo diferente. (Jean Carlos Poggianella)

★

Vivemos no Brasil, onde coronel é parado em blitz e ainda fala que não pode ser parado porque é coronel. Imagine só parar um branquinho filho de papai, morador de Jardim da Penha: "você sabe com quem está falando?" Nem consigo imaginar esse tipo sendo parado, porque realmente quase não acontece. Em Jardim da Penha é festa clandestina, em Cobi é Mandela. Infelizmente é a realidade. (Juliana Santana)

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Está certa, cor de pele e classe social não definem caráter. Se a polícia aborda com ostensividade no morro, que faça da mesma forma no asfalto. Aliás, de onde são os maiores clientes? (Lucas Xavier)

★

E mentiu? Se a abordagem dada no Bonfim for feita aqui na orla, vai chover processo pro Estado. Detalhe: quem manda no crime com certeza não está lá em cima nos morros. (Igor Pereira)

★

Em partes ela está correta, mas a polícia não aborda mais ninguém. Antigamente tinha abordagem, hoje não existe quase nada. (Pedro Paulo)

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