É sintomático que seja tão comum: no Brasil, os atrasos nas obras públicas estão quase sempre relacionados a falhas ou desajustes nos projetos. O diagnóstico é de conhecimento geral, mas nada muda. E a história se repete no Contorno do Mestre Álvaro. Mais de três anos depois da assinatura do contrato, a rodovia continua sendo só uma distante promessa para desafogar o trânsito da BR 101. E o problema está exatamente no projeto.
Tudo porque houve a constatação, pelo TCU, de que a terraplanagem no trecho que exigirá intervenções menos complexas está programada para ocorrer antes da aprovação da totalidade do projeto básico. Pela apuração, essa metodologia pode acarretar um maior custo aos cofres públicos, pelo fato de o faturamento ser feito com base no preço médio desse serviço. Resultado: o consórcio responsável pela obra precisa fazer as adaptações exigidas para que os trabalhos tenham permissão para serem iniciados. Numa sucessão de promessas, a última foi feita pelo novo diretor do Dnit-ES, André Martinez, que se prontificou a apresentar as soluções para os problemas identificados pelo TCU “por Brasília, na semana que antecede o carnaval”. Aguardamos?
É mais um caso que mostra a necessidade de projetos executivos bem elaborados, que evitem as constantes alterações orçamentárias, com os famigerados aditivos, e as decorrentes ampliações no prazo. Toda essa desorganização mexe com o bolso de cada cidadão. Consolida a cultura do desperdício de tempo e de dinheiro. Um projeto robusto reduz os imprevistos a um patamar mais baixo e controlável. O que ocorre, enfim, é um grande paradoxo: faz-se vista grossa para os projetos executivos, sob a justificativa de garantir mais agilidade nas licitações, mas posteriormente os entraves emperram a obra. Não faz sentido, mas ainda assim insistimos nessa falta de lógica.