Divulgação/Samarco
A retomada das operações da Samarco
vem sendo acompanhada por transformações no modo como a empresa conduz a
atividade de mineração. Com a previsão de alcançar 100% da capacidade produtiva
instalada a partir de 2028, a empresa afirma que a sustentabilidade influencia
a tomada de decisão do negócio e a relação com as comunidades dos territórios
onde atua.
Hoje, a Samarco, que completou 49
anos em 2026, opera com 60% da capacidade produtiva instalada. A retomada começou
em 2020, após cinco anos de paralisação, e foi estruturada a partir de mudanças
na operação. Para chegar à capacidade total, a empresa está investindo R$ 13,8
bilhões, o maior investimento de sua história.
"Na mineração e na indústria
de base, estamos vivendo simultaneamente a transformação digital, a transição
energética e a necessidade de operar de forma cada vez mais sustentável. A
Samarco é uma empresa que está disposta a aprender e vejo essa transformação
principalmente nas escolhas que fazemos, na maneira de trabalhar, de cuidar das
pessoas, de nos relacionarmos com os territórios e de pensar o negócio”, diz o
presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.
Um dos principais exemplos dessa transformação está na transição energética e na redução das emissões de carbono, já que, desde 2022, 100% da energia elétrica utilizada pela Samarco é proveniente de fontes renováveis certificadas. A matriz conta com duas usinas hidrelétricas e está sendo ampliada por meio de uma parceria com a Casa dos Ventos para o fornecimento de 45 MW médios de energia eólica.
A empresa vem testando e ampliando o
uso de alternativas aos combustíveis fósseis no processo produtivo. Entre elas,
está o bio-óleo, combustível renovável derivado do alcatrão vegetal, que é
utilizado em substituição ao gás natural nos queimadores dos fornos de
pelotização. Também é usada a moinha de carvão vegetal, um coproduto da
biomassa de eucalipto originado na indústria de celulose, usado na mistura para
pelotização em substituição ao coque de petróleo e ao carvão mineral. Em 2025,
a moinha chegou a representar até 16,9% da matriz de combustíveis sólidos das
pelotizações III e IV, enquanto o uso industrial de bio-óleo evitou cerca de
3,5 mil toneladas de CO² de origem fóssil.
Outra frente de circularidade utiliza
coprodutos da indústria de rochas ornamentais do Espírito Santo. Desde 2022,
cerca de 588 mil toneladas de coprodutos de mármore foram incorporadas ao
processo produtivo como alternativa complementar ao calcário.
A agenda ambiental também está
ligada à gestão de rejeitos. Desde a retomada, a operação foi estruturada sem a
utilização de barragens para disposição dos rejeitos gerados e, assim, cerca de
80% do material, composto por rejeito arenoso, passa por filtragem e é
empilhado a seco. Os 20% restantes, formados por ultrafinos, são destinados a
uma cava confinada.
A estratégia também tem ampliado a
eficiência no uso dos recursos naturais. A taxa global de recirculação de água
da Samarco está próxima de 90%, chegando a praticamente 100% em Ubu, no Espírito
Santo, e a cerca de 84% em Germano, Minas Gerais. Desde a retomada, a companhia
também vem aumentando o aproveitamento do rejeito arenoso: até julho de 2026,
cerca de 29 milhões de toneladas haviam sido aproveitadas, o equivalente a 67%
do volume gerado desde 2020 e, em 2026, o índice chega a 96%.
"Esse movimento representa um
ganho de circularidade, na medida em que reduz o consumo de recursos naturais,
diminui a aquisição e o transporte de materiais e amplia o aproveitamento de um
material já existente no processo produtivo. Mais do que buscar novas formas de
disposição, a estratégia da Samarco busca reduzir a geração de rejeitos,
recuperar valor mineral e transformar resíduos próprios e de outras cadeias
produtivas em novos insumos, avançando progressivamente em direção a um modelo
de maior circularidade e eficiência no uso de recursos", explica Rodrigo
Vilela.
Um exemplo prático desse modelo é a
pavimentação da Estrada da Purificação, em Ouro Preto (MG), que utilizou blocos
produzidos com 33% de rejeito da Samarco. A iniciativa foi desenvolvida em
parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e a Unidade Embrapii
em Mineração Sustentável e serviu como aplicação em escala real para pesquisas
sobre o uso do material na construção civil.
O conceito de sustentabilidade
adotado pela Samarco inclui a relação econômica e social com os municípios
próximos às operações. A empresa associa geração de empregos e renda,
contratação local, qualificação profissional e fortalecimento de fornecedores a
iniciativas de desenvolvimento territorial.
Atualmente, são cerca 20 mil
empregados em Minas Gerais e no Espírito Santo. Só em 2025, foram ofertadas
1.140 oportunidades de capacitação em parceria com instituições como Senai, Ifes
e Cedtec.
Cabe destacar, ainda, o Programa
Força Local, voltado ao desenvolvimento de empresas das regiões onde a empresa
opera. Desde a retomada, o programa acumulou mais de R$ 6,1 bilhões em
contratações locais, impactou mais de 18 mil pessoas e contribuiu para a
certificação de 685 empresas.
Com o Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2024, o valor global da reparação chegou a R$ 170 bilhões. O documento foi assinado pela Samarco, Vale e BHP Brasil, União, governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, Ministérios Públicos Federal e Estaduais e Defensorias Públicas da União e Estaduais (MG e ES), entre outros órgãos públicos. O Acordo estabelece as diretrizes para a conclusão definitiva da reparação, com medidas que estão sendo implementadas pela Samarco e pelo poder público.
Até agosto de 2026, R$ 43,36 bilhões
haviam sido executados no âmbito do acordo e, considerando todo o período desde
2015, o total destinado à reparação chega a R$ 81,9 bilhões.
Por fim, na frente ambiental, até
julho de 2026, mais de 47,4 mil hectares foram cercados para restauração
florestal e cerca de 4,6 mil nascentes cercadas. A meta da empresa,
estabelecida no Novo Acordo, é de 50 mil hectares e 5 mil nascentes.