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Francisco Aurelio Ribeiro

Conhecer o legado de Renato Pacheco é amar o Espírito Santo

Cabe às atuais gerações conhecer a obra deixada por Renato Pacheco, para conhecer e amar o ES

Publicado em 14 de Setembro de 2018 às 22:39

Públicado em 

14 set 2018 às 22:39

Colunista

Renato José da Costa Pacheco, o professor Renato, como todos o conheciam, nasceu no dia 16 de dezembro de 1928 e também completaria 90 anos, neste ano, se vivo fosse, pois faleceu em 2004, aos 75 anos. Todos os que tivemos a honra e o privilégio de conviver com ele, sabemos que ele foi o intelectual capixaba mais completo de seu tempo, só podendo ser comparado a Afonso Cláudio de Freitas Rosa (1859-1934), a quem, parece, veio suceder, como leitor e professor do Espírito Santo aos capixabas.
Renato Pacheco foi além de Afonso Claudio, porque foi brilhante como poeta e ficcionista, ao contrário desse. E não se aventurou em nenhum cargo político, porque sabia não ser de seu feitio, como também não o foi a Afonso Cláudio, obrigado a renunciar, poucos meses após ter assumido o espinhoso cargo de governador do Espírito Santo, ao nascer a República.
No entanto, Renato exercia a política, no seu dia a dia, como professor, profissão que exerceu desde a juventude, ainda aluno do Colégio Estadual, quando substituiu o professor Guilherme Santos Neves nas aulas de Literatura, até se aposentar como professor da Ufes, e como juiz de Direito, profissão que lhe permitiu conhecer o Espírito Santo de cabo a rabo e lhe permitiu escrever, apaixonada e criticamente, sobre nossa terra e nossa gente.
Além de poeta brilhante, Renato Pacheco também foi contista, cronista, romancista, educador, folclorista, historiador, jurista e sociólogo
Renato Soares, em carta a Marcos Tavares, assim fala de Renato Pacheco: “Ele foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro no ES, na década de 40 do século passado. Ele reconhecia o erro estratégico que cometeram ao construírem um partido de intelectuais. Dizia: “Nós queríamos fazer para os trabalhadores e não realizar com os trabalhadores”. Soares conta que, em sua formatura, na Ufes, Renato Pacheco foi o paraninfo e ele o orador. A reitoria pediu-lhe o discurso para censurar e ele recusou. Por isso, comunicou o fato à Polícia Federal, que o ameaçou prender, se criticasse a ditadura militar. Renato Pacheco intermediou e lhe disse: “Xará, você fala o que quiser. Eu sou escritor e historiador, como poderia aceitar a censura? Garanto também, como juiz, que você não será preso durante a cerimônia. Mas depois não posso fazer nada nos tempos que vivemos. Só poderei ser solidário”.
Além de poeta brilhante, Renato Pacheco também foi contista, cronista, romancista, educador, folclorista, historiador, jurista e sociólogo. “Soube construir, pacientemente, uma obra de fôlego, sem a qual a compreensão do Espírito Santo fica bem mais difícil”, conforme Miguel Depes Tallon na Apresentação do livro “Estudos Espírito-santenses”, em 1994.
Cabe às atuais gerações conhecer a obra deixada por Renato Pacheco, para conhecer e amar o Espírito Santo, pois disse Santo Agostinho, “só se ama o que se conhece”.

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