
Daniel Mazzoni*
Recentemente, assistimos ao estupor midiático gerado pela escolha de Ernesto Araújo para ministro das Relações Exteriores. Após visitar o blog do escolhido, a imprensa repercutiu a seguinte frase escrita por ele: “Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista”. Muitos incautos arvoraram-se nas críticas a essa declaração, sob o argumento de que o país não pode retroceder em suas relações econômicas em nome de uma “ideologia nacionalista extremista”.
Outros meios de comunicação ainda o colocaram em rota de colisão com o futuro ministro da Fazenda, defensor declarado do liberalismo econômico. Pois bem, a confusão gerada pela declaração de Araújo pode ser, em parte, atribuída a uma confusão conceitual das palavras globalismo e globalização. Em que pese as similitudes das grafias, as duas palavras possuem significados bem distintos.
Enquanto globalização se apresenta como um conceito econômico, globalismo corresponde a um conceito eminentemente político. A palavra globalização pressupõe um processo de aprofundamento das relações econômicas entre os diversos países, de maneira a se promover o mútuo desenvolvimento, mas com respeito às diferenças e autonomias inerentes a cada uma das nações envolvidas. Já o globalismo é um conceito eminentemente político que tem como norte a união de nações sob uma mesma diretriz ou condução ideológica, estabelecidas sob o pretexto de facilitação do alcance de objetivos comuns.
Como consequência, surgem os organismos e legislações supranacionais e a gradativa diminuição das individualidades nacionais. Um exemplo disso é a União Europeia – a quem o Reino Unido fez questão de não pertencer, refutando, ao que tudo indica, essa mentalidade globalista.
Assim, o futuro chanceler não se imiscuiu na seara econômica. Sua sinalização foi para a discordância a qualquer tentativa de inclusão do Brasil em blocos ou grupos que promovam a unificação política supranacional, negando nossas especificidades e características enquanto nação.
*O autor é procurador do Estado e membro da Associação dos Procuradores do Estado do Espírito Santo (Apes)