O estado de degradação geral e de defasagem da malha rodoviária no Espírito Santo exige cada vez mais comprometimento por uma mudança de rota na gestão das estradas, que no geral precisam passar por uma remodelação radical para conseguir se modernizar. E obras desse porte dependem de investimentos, cada vez mais escassos.
A Pesquisa CNT de Rodovias 2018, que monitora a situação anualmente, mostra que 66,3% das vias sob gestão estadual estão em condições precárias (classificadas como regulares, ruins ou péssimas), menos do que os 81,2% de 2017, mas ainda assim um percentual absurdo. O pequeno avanço não pode ser desconsiderado, mas nem por isso as rodovias deixaram de ser um pesadelo para quem precisa trafegar por elas. Quando se avalia toda a malha no Espírito Santo, com rodovias federais e estaduais no pacote, 45,9% dos 1.731 quilômetros avaliados pelo estudo foram classificados nesse nível mais baixo. Por muito menos, a situação já seria preocupante, não só por aumentar os riscos de acidentes, mas também por ser um entrave para o desenvolvimento econômico capixaba. Somente as falhas no pavimento tornam o custo operacional do transporte, em média, 20,2% mais alto.
Estudos anteriores da própria Confederação Nacional dos Transportes (CNT) já haviam concluído que as técnicas usadas na construção de estradas no Brasil estão defasadas em pelo menos 40 anos. É um problema estrutural, resultado de projetos superficiais e mal elaborados, que acabam exigindo manutenção constante. E, assim, a torneira dos gastos não pode ser fechada.
O próprio relatório indica quanto deveria ser gasto para conservar as rodovias que sofreram menos desgaste no Estado: R$ 261,49 milhões. No caso das estradas em situação mais precária, as ações emergenciais de reconstrução e restauração exigem R$ 292,48 milhões.
São investimentos pesados para os cofres públicos, sejam estaduais, sejam federais. Para se ter uma ideia, na previsão orçamentária estadual para 2019, são R$ 552,6 milhões destinados a investimentos com recursos próprios. Parcerias público-privadas e concessões devem, portanto, ser incentivadas para tirar esse peso do Estado. Não é coincidência que, mesmo que persistam os atrasos na duplicação da BR 101, apenas 4,7% dos trechos sob concessão avaliados no Espírito Santo tenham sido considerados deficientes.