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Opinião da Gazeta

Concessão é saída para as péssimas condições das rodovias capixabas

No Espírito Santo,  52% das rodovias são consideradas ruins ou péssimas quanto à geometria da via, de acordo com pesquisa   da Confederação Nacional do Transporte (CNT)

Publicado em 30 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

30 out 2019 às 05:00

Colunista

Trecho da BR 262 no Espírito Santo Crédito: Ricardo Medeiros

Toda a sociedade paga pela ineficiência da infraestrutura de transportes. E o preço é bastante alto. Acidentes, demora na distribuição de mercadorias, custos com combustível e avarias em veículos que aumentam o valor dos produtos, desinteresse de novas empresas em se instalar em alguns locais são algumas das consequências óbvias.

Por isso é no mínimo preocupante a constatação de que 52% das rodovias do Espírito Santo sejam consideradas ruins ou péssimas quanto à geometria da via, indicador crucial para o conforto e a segurança dos motoristas. O índice está acima do brasileiro, que é de 49,7%, segundo a mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que apontou que a qualidade das rodovias brasileiras piorou no último ano.

Os números contam uma história trágica. O impacto das más condições das vias no custo operacional do transporte é de 28,5%, o que se reflete no preço dos produtos e na competitividade do Brasil. Pavimentos ruins levam a mais gasto de combustível, e a estimativa é que o país desperdiçará mais de 900 bilhões de litros de diesel em 2019, o que representa uma emissão de cerca de 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono no ar e um custo de R$ 3,3 bilhões adicionais aos transportadores. São quase R$ 10 bilhões de ônus com acidentes todos os anos, sem contar as mais de cinco mil vidas perdidas.

Mas os números que apontam o tamanho do buraco também indicam o caminho para sair dele: o investimento em parcerias público-privadas. As 22 rodovias mais bem avaliadas na Pesquisa CNT são concedidas. Em 2019, 74,7% das vias administradas pela iniciativa privada foram classificadas como ótimas ou boas.

Essa situação é quase a inversa nas rodovias sob gestão pública, onde o percentual de rodovias boas ou ótimas é de apenas 32,5%. No Espírito Santo, os únicos trechos que tiveram nota máxima, considerando o estado geral da via, ficam na Rodovia do Sol e na Rodovia do Contorno, na BR 101. Ou seja, dos 1.400 quilômetros avaliados no Estado, menos de 100 foram considerados ótimos.

Para recuperar as rodovias no Brasil, com manutenção e reconstrução, seriam necessários R$ 38 bilhões. Neste ano, o total reservado pelo governo federal para a infraestrutura rodoviária foi de apenas R$ 6,20 bilhões. Fica nítida a incapacidade de o Estado arcar, sozinho, com tamanha responsabilidade.

Acerta o presidente Jair Bolsonaro, portanto, ao decidir conceder à iniciativa privada mais 16 mil quilômetros de rodovias até o fim de sua gestão, em 2022. Se o Brasil não seguir esse rumo, vai penalizar o desenvolvimento do país e afetar a segurança dos cidadãos.

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