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"Pago quando puder"

Como o Vasco vai contratar bem se já avisa que não vai pagar em dia?

Estratégia deu certo com o técnico Abel Braga, mas beira o ridículo. Que jogador vai se sentir motivado a seguir para a Colina? Não dá para viver apenas do retorno do programa de sócios-torcedores. Diretoria precisa se ajudar

Publicado em 23 de Dezembro de 2019 às 05:00

Públicado em 

23 dez 2019 às 05:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Abel Braga foi apresentado oficialmente como o técnico do Vasco para 2020 Crédito: Rafael Ribeiro/Vasco
A torcida do Vasco deu um show no final desse ano e fez o clube chegar a mais de 184 mil sócios-torcedores. A diretoria acredita que isso pode  significar mais de R$ 6 milhoes mensais nos cofres do clube. Mesmo assim, dinheiro ainda é algo preocupante pelos lados de São Januário. O clube acumula salários e direitos de imagens atrasados, o que atrapalha o processo de renovação com jogadores que ainda interessam ao Cruz-Maltino e reduz o potencial no mercado. Quem vai querer jogar em um time que não cumpre com suas obrigações trabalhistas? 
Por falar nisso,  na semana passada, o técnico Abel Braga foi apresentado pelo Vasco. Em coletiva afirmou que o presidente deixou bem claro que "vai pagar, mas não vai pagar em dia". Péssimo para a imagem do clube. Imagine a diretoria cruz-maltina com esse tipo de abordagem na negociação com jogadores. É impossível se tornar desejo de algum atleta de alto nível. Vale destacar que todo clube possui dívidas e o presidente Alexandre Campello vem atuando para amenizar o montante, mas deixar se tornar público esse tipo de acordo com Abelão beira o ridículo. 
"Ah, mas Abel ganha muito dinheiro, não precisa receber em dia todo mês porque um salário dele já tem grana de sobra para ele sobreviver". "Ah, mas pelo menos o presidente foi sincero...", dizem muitos por aí. Quero dizer apenas que não interessa! Nenhum profissional deveria aceitar esse tipo de irresponsabilidade de um clube. Ao aceitar essas condições, Abelão só ajuda a perpetuar o amadorismo na gestão. Um desserviço para o futebol brasileiro. 
Nos últimos dias, o Vasco conseguiu derrubar penhoras e pagou cerca de R$ 32 milhões em dívidas. O caminho para a saúde financeira é longo e cheio de obstáculos, mas já está na hora dos gestores fazerem diferente. Não dá para viver apenas da torcida que bomba o programa de sócios, doa dinheiro para a construção de centro de treinamentos e vive se mobilizando para ajudar as finanças do clube.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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