O aumento da quantidade de refugiados que cruzam a fronteira com o Brasil escancarou para os brasileiros a verdadeira dimensão da crise na Venezuela. Há muito era conhecida a falta, naquele país, de produtos básicos, como os de higiene e limpeza, fruto da política econômica equivocada dos governos populistas bolivarianos de desestímulo à produção em decorrência do controle artificial dos preços.
Agora, é possível saber que a crise, que se agravou a partir de 2013, levou a Venezuela ao caos absoluto: déficit fiscal incontrolável, inflação de 1.000.000% ao ano (segundo estimativas do FMI), recessão estratosférica (queda de 15% no PIB), desvalorização dos salários, desemprego recorde, escassez de alimentos, remédios e produtos em geral, e falência total da prestação de serviços públicos. Não é sem razão que 2,3 milhões de venezuelanos já emigraram para outros países, o que fez com que a Organização Internacional para Migrações, uma agência das Nações Unidas que trata da questão, tenha alertado que a crise migratória venezuelana atingiu o mesmo nível do fluxo de refugiados no Mediterrâneo.
É difícil crer que ainda haja quem defenda o regime ditatorial venezuelano. Mas, acreditem, essas pessoas existem e são dirigentes de partidos importantes no Brasil
O Brasil, até agora, recebeu menos de 3% desse total, algo em torno de 50 mil, mas a intensidade da entrada de novos refugiados nas últimas duas semanas (500 por dia) acendeu o sinal de alerta de que a situação tende a fugir do controle.
A questão é ainda mais grave quando se constata que os venezuelanos chegam pela fronteira com Roraima, Estado que possui 500 mil habitantes, tendo como porta de entrada a pequenina Pacaraima, com dez mil habitantes.
Como disse a governadora de Roraima, os refugiados representam 10% da população do Estado, o que exacerba as demandas de saúde e aumenta a criminalidade, entre muitos outros problemas.
Ninguém desconhece as causas da maior crise humanitária das Américas, como a crise venezuelana tem sido classificada. Elas decorrem da sucessão de governos populistas e autoritários que desde 1999 dominam a política local, utilizando a população como massa de manobra para se manter no poder. Não foi sem razão que o governo bolivariano alterou a Constituição para dar poderes ditatoriais ao presidente e permitir reeleições ilimitadas. Sem falar da política econômica equivocada e da perseguição política que elimina opositores e sufoca a liberdade de imprensa.
É difícil crer que ainda haja quem defenda o regime ditatorial venezuelano. Mas, acreditem, essas pessoas existem e são dirigentes de partidos importantes no Brasil. E o que é pior são candidatas e disputam, nas próximas eleições, o voto do eleitor brasileiro.