Sabrina Moraes*
No Brasil, o racismo está na base da formação do capitalismo, logo, negras e negros representam o seu setor mais explorado e pauperizado. Com isso, em decorrência da crise que se aprofunda e com as contrarreformas em curso, além da miséria material, se intensificarão as desigualdades de acesso ao básico para produção e reprodução da população negra brasileira. É a morte em vida. É morte que se materializa na intensificação do projeto de extermínio, encarceramento, discriminação, intolerância religiosa, redução da maioridade penal, dentre outras violações.
Por isso, o racismo brasileiro é classificado como sofisticado por alguns autores. Além de compor as relações sociais, políticas, econômicas e ideológicas, ele toma formas e impacta de maneira distinta de acordo com a região, com o gênero, com a idade, com a condição material etc. Por isso, tão complexo! E está intrinsecamente relacionado em como se dão as respostas estatais às expressões da questão social brasileira.
Foi deliberada, pela categoria de assistentes sociais, a campanha “Assistentes Sociais no combate ao racismo”, lançada aqui no Estado neste dia 20. Dia reconhecido pelo movimento negro brasileiro em homenagem ao líder Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência frente ao regime escravocrata no Brasil.
Em decorrência da crise que se aprofunda e com as contrarreformas em curso, além da miséria material, se intensificarão as desigualdades de acesso ao básico para produção e reprodução da população negra brasileira
A campanha tem por objetivo incentivar a promoção de ações de combate ao racismo no cotidiano profissional, ampliar as diversas percepções de manifestação do racismo, combater o racismo institucional nos diferentes espaços de trabalho da categoria, dar visibilidade às demandas por direitos sociais no Brasil, denunciar o racismo, além de articular diferentes formas de dialogar com a sociedade sobre como o racismo estrutura as nossas relações sociais, políticas e econômicas.
Então, como construir uma agenda revolucionária antirracista? Diante do avanço das forças reacionárias, a denúncia e a resistência devem ser mais visibilizadas e articuladas.
Este cenário desafia a sociedade brasileira e escancara o racismo que constitui as bases ideológicas dessa nação. Portanto, as nossas ações e articulações não se iniciam e nem se encerram no dia 20 de novembro. A categoria é convocada a cotidianamente a intervir no combate ao racismo e a compor essa luta junto à população atendida, aos movimentos sociais e aos setores da sociedade comprometidos com o combate ao racismo.
No Espírito Santo, há 11 anos ocorre a tradicional Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, organizada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra. O tema deste ano é “Do luto a luta: o genocídio tem cor e endereço”. Portanto, é somando-se à luta coletiva e articulando-se com os movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos é que as nossas agendas devem ser construídas.
*A autora é assistente social e conselheira do Conselho Regional de Serviço Social 17ª Região