Além de lidar com a queda nos investimentos na casa dos milhões nos últimos anos, como mostrou reportagem deste jornal na última quarta-feira (25), o sistema educacional no Espírito Santo também está lidando com um inimigo pernicioso: um esquema de uso de diplomas falsos por professores.
Poucos dias depois de a Prefeitura da Serra demitir 300 profissionais que apresentaram certificados inválidos, ontem foi a vez da Operação Mestre Oculto, do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), desbaratar um sistema fraudulento no Norte do Estado. Duas pessoas foram detidas em Rio Bananal e outras duas em Linhares, mas isso é só a ponta do iceberg. Pelo menos 150 pessoas que usaram diplomas falsos foram identificadas. A promotoria de Justiça de Rio Bananal confirmou que o esquema é muito maior e que as investigações vão continuar.
Neste ano, outros nove casos foram identificados em contratações da Prefeitura de Cariacica e da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Na Serra, o caso mais grave até aqui, a média de demissões foi de quase 50 professores por mês. Nem todos, cabe ressaltar, são criminosos. Há indícios de que alguns educadores foram eles mesmos vítimas de fraudes, pois pagaram por cursos em instituições que se vendiam como idôneas, mas não eram reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).
As constantes farsas acendem um alerta sobre a qualificação dos profissionais a quem estamos entregando a educação de nossos alunos. Além da atuação diligente do Ministério Público e da Polícia Civil, prefeituras e governo do Estado devem enrijecer o controle nas contratações. É inadmissível que para angariar uma vantagem pessoal – o emprego –, alguém prejudique a formação de centenas de crianças e adolescentes. Com que moral vai educar?