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Entrevista: Jaqueline Moraes

Vice-governadora: “Não sou porta-voz do Palácio Anchieta na eleição”

Participando intensamente da articulação de candidaturas e chapas, Jaqueline afirma que subirá no palanque de muitos aliados durante a campanha municipal, mas como militante do PSB, e não falando em nome do governo

Publicado em 21 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

21 ago 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Jaqueline Moraes, militante do PSB e articuladora política do partido nesta eleição municipal no ES
Jaqueline Moraes, militante do PSB e articuladora política do partido nesta eleição municipal no ES Crédito: Amarildo
Lelo Coimbra, Ricardo Ferraço, Givaldo Vieira, César Colnago e... Jaqueline Moraes. Na relação dos vice-governadores do Espírito Santo eleitos neste século, a atual ocupante do cargo é, a olho nu, “a vice mais improvável”: aquela que, ao chegar ao cargo, tinha a menor projeção e a história política mais curta (só havia exercido um mandato, como vereadora de Cariacica, de 2013 a 2016).
Sem se fazer de rogada, Jaqueline tem buscado o seu espaço não só dentro do governo e não só no cumprimento de compromissos institucionais. Com as eleições municipais batendo à porta, a aliada de Renato Casagrande – filiada ao PSB, como o governador – tem adquirido status de articuladora política. Neste momento de definições de candidaturas, chapas e alianças, ela tem tido participação expressiva em reuniões e articulações de bastidores, relacionadas a vários municípios da Grande Vitória e do interior, falando em nome do PSB. Ela enfatiza: do PSB.
Para muitos, até pela posição que ocupa, a voz de Jaqueline também é a voz do Palácio Anchieta (leia-se do governador), mas ela esclarece que não é bem assim: “Não sou porta-voz do Palácio Anchieta. Dentro do PSB, faço construção de militância partidária”, afirma ela, em entrevista exclusiva à coluna.
De todo modo, as duas dimensões se confundem, já que o PSB é o partido no governo. E, como admite a própria vice-governadora, ela pretende participar intensamente do processo eleitoral a fim de ajudar a eleger o maior número de prefeitos alinhados com o “projeto do PSB para o Estado”. “Nós temos um projeto para o Espírito Santo. E queremos replicar esse projeto no máximo de cidades onde pudermos estar juntos.”
Para isso, Jaqueline afirma que pretende subir em muitos palanques durante o período de campanha, ainda que sejam “palanques virtuais” – as famigeradas lives, das quais ela também tem sido participante assídua durante a pandemia. Assim, podemos dizer que a vice estará na linha de frente da campanha, cumprindo um papel que Casagrande, até pela posição que ocupa, deve se eximir de assumir, mantendo-se na retaguarda.
Na entrevista da vice-governadora, cuja íntegra você confere abaixo, ela também comenta a possibilidade de se candidatar a deputada federal em 2022 e a sua aspiração de se tornar, seguindo o exemplo de Casagrande, uma líder partidária reconhecida dentro do PSB.

Além dos compromissos institucionais, a senhora tem tido uma intensa atuação pessoal em reuniões e articulações partidárias relacionadas às eleições municipais. Nos bastidores, um comentário corrente é que, nessas conversas, a senhora tem atuado como uma espécie de porta-voz não só do PSB como também do Palácio Anchieta. A senhora confirma isso?

Nesse papel de articulação como agente política e estando na Vice-Governadoria, sempre recebi a todos muito bem. Então agora, quando chega o pleito eleitoral, começam as articulações, e percebi o vulto que é estar vice-governadora. As pessoas me procuram para ter um direcionamento. Mas, dentro da questão da articulação do PSB, eu faço mais num contexto de participar da comissão executiva estadual do partido, de ser membro da executiva nacional, de estar secretária estadual de Mulheres do PSB. Eu tenho uma responsabilidade com o PSB. Não sou porta-voz do Palácio Anchieta. Até porque a gente entende que o governo precisa ter as suas alianças. Então, dentro do PSB, faço construção mais de militância partidária.

Então a senhora está participando dessas articulações eleitorais, porém apenas em nível partidário, como representante do PSB, e não como porta-voz do Palácio Anchieta?

Exatamente. Às vezes as pessoas até podem confundir. Podem até achar: “Ah, mas ela falando não é o governador falando?”. Pode nem sempre ser isso. Faço parte da Executiva nacional e da estadual do PSB. Então tenho um papel que desenvolvo nesse contexto. Por estar vice-governadora, acabo sendo muito convidada, como, por exemplo, pelas mulheres de outros partidos. Tenho participado de muitas lives e feito muitos movimentos com candidatos de outros partidos, até pelo contexto da liderança como vice-governadora e como mulher, inclusive fora do Estado. Fiz quatro intervenções nacionais, só neste momento da pandemia, no contexto político de empoderamento das mulheres.

Para deixar claro, então: como a senhora define o papel que está exercendo agora, na pré-campanha, e qual é o papel que exercerá durante a campanha oficial?

Um papel de representação de um projeto do PSB, que é o projeto que hoje está no Estado. Nós temos um projeto para o Estado do Espírito Santo. E queremos replicar esse projeto no máximo de cidades onde pudermos estar juntos.

Eleger o maior número de candidatos da base do governo?

Da base, dos partidos da base, que acreditaram nesse projeto e estão alinhados com esse projeto.

Durante o período oficial de campanha, a senhora subirá em palanques, ainda que sejam palanques virtuais?

Eu estou disposta. Falei para o governador que estou disposta. Quando falo governador, é que o Renato faz parte da executiva estadual do PSB, e não no contexto de ele ser governador. Numa das nossas reuniões no partido, virei para o governador e disse assim: “Eu vou subir nos palanques”. Eu quero andar. Quero participar.

E, nesses palanques, a senhora falará e pedirá votos em nome do governo?

De repente sim. Talvez não. Depende de onde o governo vai estar e onde o PSB vai estar.

E como será a participação do governador? Ele entrará pessoalmente em algumas campanhas? Apoiará pessoalmente alguns candidatos do PSB e de outros partidos da base?

No governo passado dele, não me lembro de ele ter feito movimento de subir no planque de ninguém. Eu acompanhava de longe, mas não me lembro de ele ter feito algum movimento assim. Eu não sei se, como governador, isso permite que ele faça esse movimento direto. Não acredito que ele deva, mas talvez ele possa. Não posso responder por ele.

E a senhora falará, então, em nome dele?

Falarei, como eu te disse, em nome do partido.

A senhora é citada por muitos agentes políticos como possível candidata a deputada federal em 2022...

[Risos]

A senhora se anima com a ideia?

Na verdade, eu dei uma risadinha porque acho que é natural, né? Cinco dos últimos vice-governadores disputaram mandato no Congresso. Só o César [Colnago] não teve êxito na eleição de deputado federal [em 2018]. Os outros quatro tiveram: o Renato [Casagrande, eleito deputado federal em 2002]; o Lelo [Coimbra, eleito deputado federal em 2006]; o Ricardo [Ferraço, eleito senador em 2010]; e o Givaldo [Vieira, eleito deputado federal em 2014]. Então acho que é natural as pessoas pensarem, porque sou uma agente política, que naturalmente eu serei candidata a deputada federal. Eu não faço essa discussão de futuro. Hoje eu sou muito feliz em ser uma militante partidária. Eu me realizo, faço o que gosto. Então não tenho essa pretensão direta. Nem me foi feito nenhum convite para isso. Não existe isso. Agora, se eu te disser que não quero ser uma liderança reconhecida no campo partidário, de articulação, eu estarei mentindo. Eu gostaria de ter esse reconhecimento.

Mas o que é “ter esse reconhecimento como liderança partidária”? Esse reconhecimento também não vem nas urnas, por parte dos eleitores numa eleição futura?

Sim, acho que nas urnas a gente tem esse reconhecimento, mas também no partido você consegue. Vou te dar o exemplo do próprio Renato: tem 30 anos de PSB, já teve mandato e já esteve sem mandato. E eu acho que sou uma figura muito parecida: faço política com mandato e sem mandato. Acho que a população reconhece isso. A prática da boa política é você ter capacidade de construir políticas públicas com ou sem mandato, dentro do campo partidário. Inclusive tenho feito esse debate no nosso partido: se a gente quer as mudanças que a gente tanto quer para as mulheres, a gente tem que começar “dentro de casa”. Nos nossos diretórios municipais, tem que ter metade homens, metade mulheres, para essas mulheres poderem ter um espaço de voz e de fala dentro do próprio partido.

Então, em outras palavras, a senhora, como Casagrande, quer ter vida longa dentro do PSB e se consolidar como uma líder do partido no Espírito Santo?

Quero ter vida longa em todos os sentidos. Inclusive no PSB.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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