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Ted Conti: "Não serei mais do mesmo. Vou renovar na prática"

Jornalista chega à Câmara Federal pelo partido de Renato Casagrande, a quem ele trata como conselheiro e como grande referência na política. "Eu me espelho em Renato Casagrande. Serei um dos defensores de seu governo em Brasília."

Publicado em 14/12/2018 às 16h42
Ted Conti manifesta grande admiração por Renato Casagrande, que o convidou para se filiar ao PSB e para ser candidato à Câmara Federal. Crédito: Vitor Vogas
Ted Conti manifesta grande admiração por Renato Casagrande, que o convidou para se filiar ao PSB e para ser candidato à Câmara Federal. Crédito: Vitor Vogas

“Ética”, “caráter”, “seriedade”, “lisura”, “fazer o certo” e o “correto”... Palavras como essas se destacam no vocabulário usado pelo jornalista Ted Conti (PSB) para responder às nossas perguntas nesta sua primeira entrevista à coluna após a confirmação oficial de que ele será um dos dez deputados federais do Espírito Santo a partir de fevereiro do ano que vem.

“A gente sai da campanha com duas vitórias: uma é a vitória da ética e a outra é minha chegada a Brasília”, afirma o ex-apresentador.

Como primeiro suplente da coligação, Ted assumirá a vaga do deputado Paulo Foletto, também do PSB, que se tornará secretário estadual de Agricultura no governo de Renato Casagrande (do mesmo partido).

Da entrevista de Ted, duas certezas despontam. A primeira é a  grande vontade de dar sua contribuição pessoal em um processo de renovação política do ponto de vista ético, que ele entende ser urgente e que foi, segundo ele, o que o levou a decidir ser candidato pela primeira vez neste ano após quase 30 atuando como jornalista.

A segunda certeza é a profunda admiração nutrida por Ted Conti em relação a Renato Casagrande, autor do convite para ele se filiar ao PSB, em fevereiro de 2017, e para ser candidato a deputado.

“Eu me espelho em Renato Casagrande, na garra que ele tem e na vontade de trabalhar que ele tem. Nunca vi um político que ande e dialogue tanto quanto Renato Casagrande. (...) Ele se tornou uma referência para mim. (...) Serei um dos defensores de seu governo em Brasília.”

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra com Ted, na qual ele conta detalhes sobre sua campanha, a transição para o mundo político e os planos para o mandato parlamentar.

O senhor disputou a eleição com discurso de renovação política. Agora que tem a oportunidade de chegar a Brasília e mostrar trabalho na Câmara, como será essa renovação?

Vou renovar na prática. Nós temos que renovar na prática. Essa renovação vai demandar muita discussão e muita luta interna, porque sabemos que há muitas forças contrárias, mas não podemos aceitar de forma alguma que não seja uma entrada no Congresso Nacional para renovar, para fazer o certo, para fazer o que tem que ser feito e o que a população precisa. A gente sai da campanha com duas vitórias: uma é a vitória da ética e a outra é minha chegada a Brasília.

Será um mandato diferente?

Não adianta você fazer uma proposta e depois se tornar mais do mesmo. Não serei mais do mesmo. A partir do momento em que você se coloca numa disputa eleitoral e que você se propõe fazer certo, você tem que fazer certo. Senão você nunca mais será perdoado pela população. Quando a gente tem um nome, como eu fiz, e demorei 30 anos para fazer um nome bem feito, é mais do que uma obrigação. É um dever de fazer sempre o correto, até por uma questão própria, de responsabilidade comigo mesmo e com a minha imagem.

Como o senhor mesmo mencionou, foram praticamente 30 anos atuando como jornalista. Muitas vezes dando notícias sobre políticos. O que o fez sentir aquele estalo para decidir entrar na política e se filiar ao PSB?

Primeiramente, quero pedir licença para agradecer aos 42.580 votos que tive dos eleitores que buscaram renovação e que querem um Espírito Santo com políticos com mais credibilidade e com passado mais limpo. Sei que temos políticos bons e sérios, mas infelizmente temos todos os dias denúncias de corrupção. O que me fez dar esse start na política foi exatamente uma indignação com o momento político que vivemos. Ninguém suporta mais a quantidade de denúncias de corrupção e o nível de violência que temos enfrentado. Então acho que todo cidadão de bem, que tem uma condição de entrar na política e ajudar, eu acho que tem que entrar na política e se colocar à disposição. Eu senti esse chamado.

De quem partiu esse “chamado”? Foi o próprio Renato Casagrande quem o convidou para entrar no PSB?

Sim. Ele e eu fizemos uma reunião no dia 5 de fevereiro de 2017 (um domingo). Naquela noite, todos nós tomamos conhecimento sobre a greve da Polícia Militar do Espírito Santo. E posteriormente fui convidado para me lançar como candidato a deputado federal.

Como foi tomada essa decisão de ser candidato?

Eu tomei essa decisão em dezembro de 2017. Estava fora do país. Conversei com Renato [Casagrande] e decidi entrar na política e ser candidato a deputado federal. Então, cheguei de volta ao Espírito Santo em abril deste ano. Fizemos um planejamento estratégico, conversei com Renato, com a Executiva do partido e começamos a campanha em julho.

Como foi financiada a campanha? O partido ajudou?

Fizemos a campanha inteira com pouco mais de R$ 78 mil. O partido contribuiu com R$ 75 mil e o resto foi de vaquinha virtual. Foi uma campanha de muito pé no chão, de muito diálogo com a população e conversa com as lideranças. Um pouco desacreditado pelos próprios políticos que já estão tomando conta do Espírito Santo. Muita gente não acreditava que a população pudesse dar esse voto para pessoas que estivessem iniciando. Mas eu estava fazendo essa leitura da população já há algum tempo. Eu sentia esse movimento de renovação que as pessoas estavam querendo. E concluí que era a hora de a gente realmente se colocar à disposição da população para retomar uma política que foi abandonada pela população há muitas décadas. As pessoas reclamam, mas na hora realmente de tomar uma decisão, de entrar na política, muita gente acaba só criticando e não tomando a atitude. Eu optei por tomar essa atitude.

Voltando ao seu ato de filiação, a decisão foi tomada exatamente no dia 5 de fevereiro de 2017, coincidindo com o início da greve da PMES. Foi só uma coincidência ou esse movimento também contribuiu para ampliar aquele sentimento de indignação que o senhor diz ter sido decisivo para o seu ingresso na política?

Foi decisivo posteriormente, porque a gente não sabia que a greve iria surtir aquele efeito que surtiu, nem que aconteceria naquele dia. Fizemos uma reunião de manhã com o Renato, depois voltei para Guarapari e à noite começamos a sentir os efeitos da greve nas ruas. Então, posteriormente à greve, aí eu vi que a gente precisava ajudar a nossa população e aí me coloquei à disposição.

Então a greve foi decisiva não para sua decisão de se filiar ao PSB, mas, posteriormente, para sua decisão de se candidatar.

Sim. De me candidatar a deputado federal.

O senhor mencionou que alguns dos políticos já estabelecidos não acreditavam em seu sucesso eleitoral. E o senhor, acreditou desde o início que era possível chegar à Câmara?

Sim, porque fiz um trabalho como jornalista durante 29 anos na Rede Gazeta. Durante 25, apresentei o principal jornal do Espírito Santo. E a gente sempre fez um trabalho muito sério que sempre foi muito observado pela nossa população e que sempre teve um retorno muito positivo. Ou seja, a população sempre confiou e deu muita credibilidade ao nosso trabalho. Num momento tão difícil do nosso país e tão carente de pessoas sérias, eu sabia que a população confiaria em mim nesse sentido.

Na sua avaliação, então, essa imagem de seriedade e de credibilidade foi determinante para a sua votação, que agora lhe permite chegar à Câmara?

Tenho certeza que sim. Acho que tudo que você faz reflete em algum momento. Ninguém fica por quase 30 anos numa empresa se não tiver caráter. Hoje em dia você fazer um profissional [do jornalismo] e ensiná-lo não é tão difícil. Mais difícil hoje é você encontrar profissionais para exercer aquilo ali com lisura.

E vocês trabalharam com meta de votação? Almejava chegar a determinada marca?

Sim. No nosso planejamento estratégico, a gente trabalhou com uma meta de 80 mil votos, mais ou menos. Mas a nossa inexperiência política e a nossa pouca condição financeira para poder fazer uma campanha abrangente em todo o Espírito Santo… Eu nunca tinha sido testado nas urnas. Então, mesmo tendo o suporte de um grupo forte, que entende de política, era uma meta que a gente não sabia exatamente o que poderia acontecer. Mas eu tinha essa expectativa, entre 40 mil e 80 mil votos. E fiquei com 42.580. Então ficou dentro da nossa expectativa de votação, mas não exatamente na nossa meta.

E agora, olhando para o futuro, o senhor vai assumir a vaga de Paulo Foletto, que será secretário estadual de Agricultura. O senhor chegará à Câmara com quais bandeiras e com quais objetivos?

Meu objetivo é continuar combatendo a corrupção, porque acho que a gente combate a corrupção desde que nasce, tendo ética, caráter, bons posicionamentos. Com isso você já dá o exemplo social. Tendo ética no trabalho, não furando uma fila, ajudando uma pessoa a atravessar a rua, como já fiz várias vezes. Tudo isso conta. Então acho que combater esse comportamento social errado, que é a corrupção, é um dever nosso. Então eu vou fazer. Além disso, acho que a segurança pública hoje é uma emergência. Temos que trabalhar em cima disso. E uma bandeira que é a chave de todos os problemas sociais é a educação. Então quero me colocar muito a par de como está o andamento dos nossos projetos e de nossas políticas públicas na área da educação, para eu me inserir e ajudar as pessoas do nosso país. Serão esses os três pilares do meu mandato.

Pretende participar de alguma comissão temática da Câmara?

Sim. Em fevereiro, vou buscar uma vaga de titular na Comissão de Educação e também na de Telecomunicações.

O senhor já chega com algum projeto de lei específico? Já está pensando em algo ou até elaborando algo?

Não. Tenho conversado muito. Mas ainda é muito cedo para a gente ter um projeto fechado em função desse pouco tempo que tive para me inserir na política. E só hoje (14) tive a certeza de que Foletto irá para o governo. Então, a partir de agora, vamos ampliar nossas conversas. E vou ver onde vou me inserir em projetos importantes.

Além do Alexandre Mendes (mentor da campanha), o senhor tem algum conselheiro político com o qual costuma se consultar?

Não. Eu e Alexandre fizemos uma parceria muito forte. Mas na verdade sou aberto a conversar com todas as pessoas que acho que são importantes para um calçamento político, para eu fazer a minha estrada. É óbvio, como falei no início, que entrei na política por um convite de Renato Casagrande. E me espelho em Renato Casagrande, na garra que ele tem e na vontade de trabalhar que ele tem. Nunca vi um político que ande e dialogue tanto quanto ele. É impressionante como ele trabalha e a intensidade com que ele trabalha, a força e a garra que tem para trabalhar.

Podemos dizer que ele se tornou uma referência para o senhor?

Se tornou uma referência para mim. Mas estou aberto a conversar com todas as pessoas que possam me ajudar a ter um direcionamento político.

E quanto à relação com o PSB? Lá na Câmara, o senhor pretende atuar como um deputado partidário, em sintonia com as bandeiras nacionais do PSB? Principalmente nas votações, pretende seguir as orientações da direção nacional do partido?

Em primeiro lugar, temos que trabalhar para a nossa população. Meus eleitores vão me cobrar. Então, antes dessa questão partidária, precisamos ter a responsabilidade com o povo capixaba. É óbvio que o nosso governador quer o melhor para a nossa população. E, se ele quer, eu também vou estar com ele. Então com certeza vou fazer o máximo para ajudar o PSB a seguir um caminho onde a gente possa fazer políticas públicas para a nossa população. E se a gente tiver algum tipo de divergência, como eu disse anteriormente, conheço poucas pessoas que dialoguem tão bem como o nosso governador. Então acho que ele vai estar sempre pronto para a gente conversar, tirar qualquer dúvida que a gente tiver, e aparar qualquer aresta. Com certeza serei um dos defensores do nosso governo estadual.

E a sua relação com o governo Bolsonaro? Na eleição presidencial, o PSB declarou apoio a Haddad no segundo turno. Depois da vitória de Bolsonaro, os dirigentes nacionais já anunciaram que o partido fará oposição programática ao governo no Congresso. O senhor pretende se inserir nessa oposição ou, pelo menos no início, manterá uma postura mais independente?

Mais uma vez eu falo: nós políticos temos a responsabilidade de trabalhar para a nossa população. A gente não pode fazer oposição por oposição. Precisamos ter responsabilidade com o mandato. Então, se for algo que realmente seja muito importante para nossa população, com certeza nós vamos ter que discutir com o nosso partido e aprovar coisas que sejam importantes para nossa economia, para nossa segurança, para nossa saúde. Se fazemos oposição simplesmente para sermos contrários ao governo, nós não queremos o bem do nosso Brasil.

Quais são suas primeiras impressões sobre essa transição do governo Bolsonaro e suas expectativas em relação ao governo dele?

Expectativas boas. Mas o que tem acontecido com relação ao Flávio Bolsonaro, de termos aí alguma suspeição em termos de assessores, acho que isso precisa ficar bem claro, porque a população já anda muito calejada e sofrida. Então é preciso que eles resolvam logo essa situação. Mas tenho um pensamento positivo de que com certeza ele vai começar o mandato muito bem. Agora, a sequência é que a gente vai ter que acompanhar.

Nas eleições de outubro, Casagrande conseguiu construir uma boa base na Assembleia Legislativa, com muitos deputados eleitos por sua coligação. Já na Câmara Federal, não foi bem assim: a bancada ficou bem dividida. E Foletto era um porto seguro para ele. Agora o senhor vai substituí-lo. O senhor pretende assumir esse papel de ser um elo na bancada em defesa dos interesses do governo Casagrande?

Eu acho que ainda é um pouco prematuro para eu me colocar nessa posição uma vez que eu estou iniciando agora. Então tenho que começar com muito cuidado e muita cautela. Ouvir o próprio governador: qual a expectativa que ele tem, o direcionamento que ele quer dar. Eu estou no Congresso Nacional para ajudar. Então, primeiro, eu preciso aprender muito. E quero ajudar muito e trabalhar muito. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer naturalmente. Não posso antecipar algo que não tenho convicção de que estou preparado para ser.

 

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