Marcada para esta sexta, a eleição da Mesa Diretora da Assembleia chega ao dia D hoje com apenas uma definição: conforme vaticinamos aqui no dia 4 de janeiro, o presidente Erick Musso (PRB) vai encabeçar a única chapa e está virtualmente reeleito. Com o mais alto cargo da hierarquia da Casa definido para o próximo biênio, o que existe, hoje, é uma luta ferrenha pelos dois cargos que estão no andar imediatamente abaixo da presidência: os de 1º e 2º secretários.
Ao lado (literalmente) do presidente na composição da Mesa, os dois secretários não são reles figurantes, mas coadjuvantes de luxo. Com o presidente, formam o trio de titulares da Mesa. Costuma-se dizer que o presidente concentra muito poder, e é verdade. Mas é uma verdade relativa. A rigor, o chefe do Poder não pode baixar nenhum ato, exonerar nem nomear ninguém, enfim, fazer absolutamente nada, sem contar com a assinatura de pelo menos um dos secretários. Ou seja, se o quiserem e se unirem para isso, os dois secretários podem amarrar essas mãos do presidente que tanto poder concentram. “Vigiam-no” de perto e representam um equilíbrio a eventuais “arroubos presidenciais”.
Os secretários, portanto, podem exercer papel muito estratégico para o governador da vez – um dos maiores interessados na definição dos membros da Mesa, se não o maior. As funções ganham ainda mais importância para o Executivo quando o presidente não faz parte do grupo político do governador. É o caso aqui e é o que explica o desenho que a Mesa está adquirindo, a partir de intervenção direta do governo Casagrande.
Se dependesse do governo e se a eleição fosse na manhã de hoje, Musso seria ladeado por dois novatos: Luciano Machado (PV) na 1ª secretaria e Adilson Espindula (PTB) na 2ª secretaria. Segundo muitos relatos, esse é o arranjo que conta com o carimbo e o patrocínio do Palácio Anchieta. Machado é ex-prefeito de Guaçuí; Espindula, ex-presidente da Câmara de Santa Maria de Jetibá. Os dois foram modestamente votados em 2018: Machado teve 15.222 sufrágios; Espindula, 11.635. A pergunta que fica e que muitos deputados, novatos e reeleitos, estão a se fazer, é: por que o governo está bancando na Mesa dois novatos, com tão pouca expressividade política e vindos de redutos tão pequenos?
Para alguns deputados eleitos, uma primeira resposta é que são nomes de confiança do governo. Musso até se aproximou de Casagrande durante esta eleição da Mesa, mas foi reeleito em outubro na coligação de Manato e com apoio de Paulo Hartung. Como seguro morreu de velho, seria conveniente para o Palácio manter o presidente cercado por dois secretários aliados incontestes do governo, como é o caso de ambos.
Machado chegou a ser assessor especial e gerente de Acompanhamento de Projetos da Secretaria de Agricultura no governo anterior de Casagrande. E é do PV, partido que está no 1º escalão do governo: o presidente estadual da sigla, Fabrício Machado, é secretário estadual de Meio Ambiente. Já Espindula, questionado pela coluna, declarou-se aliado de Casagrande.
Outra possível resposta é que, justamente por se tratar de deputados novatos, pouco experientes e muito ligados a Casagrande, a próxima Mesa seria politicamente mais frágil, mais sujeita a pressões do governo e mais fácil de ser manobrada. Quase uma extensão do Palácio – o que, claro, convém ao Palácio.
Corrigindo a informação dada no início deste texto, há, sim, uma segunda certeza: essa solução não está agradando nem a gregos nem a troianos no próximo plenário (veja notas). Hoje, dia D, pode ser o dia de uma sublevação na base.
Mameri bem cotado
Quem pode pegar a vaga de Espindula na 2ª secretaria da Mesa, também com a chancela do governo Casagrande, é Emílio Mameri (PSDB). Assim como Espindula e Machado, o tucano foi um dos deputados eleitos com menor votação individual: 11.489 votos.
Conexões tucanas
Desde 2009, Mameri é sogro de Raphael Trés, também do PSDB, nomeado por Casagrande para presidir a Ceturb. Casagrande escolheu Trés a partir de uma lista com três nomes apresentados pelo PSDB. Conclusão: de certo modo, Mameri na Mesa também fica “amarrado” ao governo, partidária e familiarmente.
União dos novos já era
Um grupo grande do “bloco de novatos” está insatisfeito com esse arranjo com Machado e Espindula nas secretarias. Reservadamente, alegam que o governo, nos últimos dias, passou a fazer uma “intervenção aguda” a fim de emplacar essa chapa, desagradando a outros novatos e desconstruindo o que os próprios novatos haviam combinado entre si no início das articulações do grupo.
Pois é...
Segundo um deles, a ideia era que, nesta fase final do processo, eles fizessem uma votação interna para decidir quem os representaria como 1º e 2º secretários na chapa. Esqueceram-se de avisá-los de que não é bem assim que a banda toca.
Candidatos a surpresa
O que também não falta são veteranos descontentes, mas com o fato de dois novatos já chegarem ocupando os dois cargos de titulares da Mesa que de fato estão em disputa. Enivaldo (PSD) e Janete (PMN) correm por fora. Dentre os novatos, Pazolini (PRP) é um dos que pode surpreender na última hora.