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Vitor Vogas

Jacqueline Moraes não descarta Cariacica

Vice-governadora do Estado começa a ser cotada em círculos governistas para ser candidata a prefeita de Cariacica em 2020

Publicado em 22 de Abril de 2019 às 09:36

Públicado em 

22 abr 2019 às 09:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Com a projeção adquirida a partir do exercício do cargo, a vice-governadora do Estado, Jacqueline Moraes (PSB), começa a ser cotada em círculos governistas para ser candidata a prefeita de Cariacica em 2020. Mesmo cautelosa, ela não repele essa possibilidade. Na verdade, está aberta a abraçar a possível nova missão, se for essa a vontade da direção do partido.
“Ser candidata a prefeita de Cariacica não passa diretamente na minha cabeça. Eu tenho um líder, que é Renato Casagrande. Mas, neste momento, o que passa na minha cabeça é o legado. Eu nunca imaginei que eu ia escrever a história. E eu entrei na história do Espírito Santo: a primeira mulher vice-governadora do Estado. Então, imaginar hoje que eu possa deixar isso, uma história interrompida, aí me causa, assim... Mas, um dia, quem sabe?”, diz a vice-governadora, que, no entanto, relativiza esse “um dia”:
“Dentro da minha vontade de consolidar a história, esse dia não está em 2020. Mas na política nunca o ‘nunca’ é ‘nunca’, e nunca o ‘não’ é ‘100% não’. Então, pode ser um ‘talvez’, pode ser ‘logo ali’, né? As pessoas querem algo que a gente também quer, que é a participação das mulheres. Então, quem está na política tem que estar preparado para qualquer desafio. Eu não sonhei em ser vice-governadora, e agora nós estamos dentro da história do Estado. Então, nunca um ‘não’ pode ser definitivo.”
Ou seja, Jacqueline está disposta a atender a um novo chamado da direção partidária – como atendeu, em agosto passado, à convocação de Casagrande para ser a vice em sua chapa. Isso, é claro, se esse novo chamado vier. A esta altura, contudo, não acredito que venha.
Hoje eu não apostaria nessa hipótese porque, “abrindo mão” de sua vice para que o PSB governe Cariacica, Casagrande ficaria desguarnecido.
Ele colocou Jacqueline ali na vice exatamente como um colchão, uma proteção em caso de emergência. Se o governador precisar se afastar ou se licenciar do cargo por qualquer contingência, ele entrega o governo nas mãos de uma aliada que priva de sua máxima confiança. Jacqueline é do PSB, faz parte do mesmo núcleo político. Representa, para Casagrande, a certeza de continuidade das suas políticas e de manutenção da sua equipe de governo.
Mas vamos imaginar que Jacqueline realmente se lance na eleição de Cariacica em 2020. E que ela ganhe essa disputa. A partir de janeiro de 2021, e ao longo da segunda metade do governo Casagrande, o cargo de vice-governador(a) estará desocupado – já que não existe vice do(a) vice.
Vai que, nesse último biênio, Casagrande precise se licenciar... Pela linha de substituição, quem assume o governo em seu lugar é o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. E quem será o presidente da Assembleia em 2021-2022? Pois é...
O atual presidente, Erick Musso (PRB), tende a tentar a reeleição em fevereiro de 2021. Até o momento, Erick tem sido um parceiro institucional do governo Casagrande. Mas, politicamente, tem grupo e projeto político próprios. Além disso, essa parceria institucional vai até a página 3, não se traduzindo necessariamente em parceria política.
O deputado já deu provas disso, quando, por exemplo, apoiou num primeiro momento o nome do aliado Marcelo Santos (PDT) para ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, contra o candidato de Casagrande para a vaga, Luiz Carlos Ciciliotti. Outra prova foi o projeto da “supertransparência nos Poderes” protocolado pela Mesa Diretora, aprovado às pressas pela Assembleia (sem consulta ao Palácio Anchieta) e agora vetado pelo governador.
CENA POLÍTICA
Casada com John Kennedy e primeira-dama dos EUA de 1961 a 1963, Jacqueline “Jackie” Kennedy Onassis era considerada um símbolo de elegância e glamour. Sua xará Jacqueline Moraes tem procurado justamente “desconstruir” a imagem glamourizada que as pessoas fazem do seu cargo: “Chego a alguns eventos de calça jeans e tênis. As pessoas ficam surpresas: ‘Nossa, essa é a vice-governadora?’”.
CPI do TCA: Tema Completamente Alargado
O deputado Sergio Majeski (PSB) propôs, em fevereiro, a criação de CPI para apurar e investigar denúncias de possíveis ilegalidades na concessão, pelo Iema, dos Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) para a Vale e a ArcelorMittal e da licença de operação para a Vale no governo passado.
A CPI foi aprovada, mas, quebrando-se uma tradição, o proponente ficou fora da presidência. O presidente do blocão parlamentar, Marcelo Santos (PDT), foi quem designou os membros e as respectivas posições no colegiado. Marcelo escalou a si mesmo na presidência, Euclério Sampaio (DC) na relatoria e Majeski apenas na vice-presidência.
Em 19 de março, Marcelo apresentou requerimento, aprovado em plenário, para alargar o escopo original da CPI. Assim, ela também passou a investigar “a forma como o Iema libera projetos a serem executados e também investigar irregularidades na emissão dos chamados Documentos de Origem Florestal (DOFs) e a possível inexistência de regular fiscalização do órgão responsável por isso, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf)”. Marcelo também pediu à Mesa a prorrogação dos trabalhos por mais 180 dias. Pedido aprovado.
A CPI deixou, portanto, de ter foco específico sobre a mineradora e a siderúrgica. E Majeski alertou para esse fato na segunda reunião da comissão, realizada na última terça-feira. Foram convocados a depor o presidente do Idaf, Mário Louzada, e um veterinário do instituto. Ambos se disseram surpresos com a convocação e sem fazer ideia do motivo, já que o Idaf não fiscaliza a Vale e a ArcelorMittal.
Majeski cobrou a manutenção do foco original da CPI. “Estamos misturando as coisas. Tudo aquilo que foi tratado aqui não é matéria, objeto da CPI.” Marcelo respondeu: “É licença. A CPI agora não é sobre TCA. Por isso foi aditada e aprovada em plenário”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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