Lourival Perozini Inácio mora em Castelo, cidade natal do governador Renato Casagrande. Ele é irmão da chefe de gabinete de Casagrande, Valésia Perozini Inácio (PSB). Desde fevereiro deste ano, por indicação direta da irmã, Lourival é assessor de gabinete do senador Marcos do Val (PPS).
Ganhando R$ 6,7 mil brutos por mês, ele está lotado no cargo comissionado de auxiliar parlamentar intermediário, vinculado ao escritório de apoio do senador em Vitória. Valésia admitiu à coluna: foi ela mesma quem indicou o irmão para trabalhar no gabinete de Do Val. O senador confirma a informação.
Apesar de estar vinculado ao gabinete de representação parlamentar, Lourival não dá expediente em Vitória e, segundo Valésia, continua vivendo em Castelo. De acordo com a chefe de gabinete de Casagrande, o irmão indicado por ela atua como um elo entre o mandato de Do Val e os municípios do Sul do Espírito Santo. Colhe demandas da população e se reúne com prefeitos, vereadores e líderes comunitários da região.
Valésia explica que conhece Do Val há muitos anos, muito antes de ele se decidir ser candidato a senador em 2018. "Temos uma relação de amizade." Ela conta que foi uma das maiores incentivadoras da candidatura do ex-instrutor de segurança, inclusive dentro do PSB, onde ele chegou a enfrentar resistências antes da campanha.
Por influência de Valésia, Do Val se filiou ao PPS, aliado de primeira hora do PSB na coligação de Casagrande, a fim de viabilizar a candidatura ao Senado. Nos meses que antecederam a campanha (até julho de 2018), o PSB chegou a cogitar lançar ao Senado o deputado estadual Sergio Majeski, filiado ao PSB, o que teria inviabilizado a candidatura de Do Val. Majeski acabou desistindo.
Durante a campanha, relata Valésia, ela colaborou bastante com Do Val voluntariamente, com conselhos e orientações, "por causa da sua inexperiência". "Participei da construção da campanha dele. Eu via nele um nome interessante para esse momento político, com muito potencial."
Após a vitória eleitoral, prossegue Valésia, Do Val lhe pediu sugestões para a montagem da equipe de assessores parlamentares. Valésia, então, indicou o próprio irmão, Lourival. "Confirmo que foi indicação minha. Quando ele (Do Val) ganhou, me pediu uma indicação. Ele precisava de alguém que pudesse fazer esse trabalho no Sul do Estado."
Com ensino médio completo, Lourival não tem filiação partidária. Antes de assumir o cargo ligado ao mandato de Do Val, ele era sócio de um cunhado de Valésia em uma empresa de audiovisual.
Além do salário bruto de R$ 6,7 mil, o irmão da chefe de gabinete de Casagrande recebe R$ 982,28 por mês do Senado a título de auxílio-alimentação.
VALÉSIA PEROZINI
Também natural de Castelo, Valésia Perozini é considerada uma peça fundamental do núcleo duro político de Renato Casagrande. Outros auxiliares de Casagrande a classificam como uma das principais conselheiras do governador, se não a principal conselheira.
Sempre como chefe de gabinete, Valésia acompanha de perto a trajetória do governador desde o primeiro mandato dele, na Assembleia Legislativa, no início dos anos 1990, passando pela Câmara Federal e pelo Senado. No primeiro governo de Casagrande (2011-2014), ela também foi chefe de gabinete do governador.
RESPOSTA DE DO VAL
Por meio de sua assessoria, o senador Marcos do Val confirmou ter selecionado Lourival Perozini Inácio para o cargo comissionado em sua equipe por indicação de Valésia. Cita que também pediu indicações de nomes a Renato Casagrande (de quem é fiel aliado) e a outros políticos notórios de seu partido, o PPS.
Ele ressalva, porém, que nem todas as indicações foram absorvidas e que todas passaram por análise e seleção. Ele acrescenta que não indicou nenhum conhecido, familiar ou parente para preencher cargos no governo Casagrande (o que elimina a possibilidade de nepotismo cruzado, por exemplo).
"Enfim, por ser um político inexperiente, fui atrás de profissionais qualificados e que já haviam vivenciado o meio político e legislativo do nosso Estado e do Senado Federal."
Confira, abaixo, a íntegra da nota do senador:
O Lourival pertence sim ao meu gabinete de representação e foi indicação da Valésia. Assim que eleito, para formar minha equipe, pedi indicações ao governador Renato Casagrande e à sua equipe, uma vez que Casagrande já exerceu brilhantemente o cargo de Senador da República. Assim foi com Lourival e outros integrantes do meu gabinete, inclusive em Brasília.
Sou novato na política e meu desejo era formar um time experiente. Também pedi indicações a outros senadores não reeleitos, como o Cristóvão Buarque – do meu partido – e Raimundo Lyra, a quem acabei conhecendo em uma de minhas visitas ao Senado antes da posse. O presidente do meu partido, Roberto Freire, também fez indicações, mas que não foram absorvidas.
Ressalto que nem todas as indicações foram acatadas. Todas passaram por análise. A seleção seguiu os seguintes critérios: indicação, análise de currículo, entrevista e contratação.
Vale lembrar que os cargos comissionados são cargos ocupados temporariamente por uma pessoa que não faz parte do quadro de funcionários da Administração Pública, ou seja, quem não passou pela aprovação em concurso público ou outra forma de seleção. O cargo comissionado, ou cargo em comissão (assim chamado na Constituição), é uma exceção à regra de acesso aos cargos públicos.
Enfim, por ser um político inexperiente, fui atrás de profissionais qualificados e que já haviam vivenciado o meio político e legislativo do nosso Estado e do Senado Federal.