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Vitor Vogas

Grupo de Musso quer o Palácio Anchieta

Publicado em 09 de Fevereiro de 2019 às 23:46

Públicado em 

09 fev 2019 às 23:46
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Charge Crédito: Arabson
“Essa eleição para a presidência da Assembleia marca o nascimento de uma nova liderança capixaba.” A “liderança” em questão é o deputado estadual Erick Musso (PRB). A eleição citada na frase foi aquela realizada no dia 1º de fevereiro, na qual Musso foi reconduzido ao comando do Poder Legislativo estadual por mais dois anos. E o autor da declaração é um dos membros do grupo político do qual o presidente da Assembleia faz parte. Um grupo que começou a se formar há cerca de dois anos; que não tem laços de dependência com Renato Casagrande, Paulo Hartung ou Carlos Manato; e que pretende chegar longe na política do Espírito Santo. Quão longe? Até o Palácio Anchieta. De preferência, planejam eles, já na próxima década.
Pode soar extremamente ambicioso. E é. Mas, por incrível que hoje possa parecer, é exatamente esse o projeto do grupo político de Erick Musso, prestes a completar 32 anos. O tempo joga a favor deles. E o que hoje parece incrível amanhã pode tornar-se factível, desde que eles façam direitinho o dever de casa e consigam se espalhar, nos próximos anos, por posições estratégicas no tabuleiro político estadual – ou “plataformas”, no dizer de um deles. É nisso que apostam Musso e companhia. E quem é exatamente a “companhia” dele nesse caso?
VEJAMOS:
Além do presidente da Assembleia, esse novo e audacioso movimento é formado por atores políticos como o deputado federal Amaro Neto (PRB); o diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro (PRB); os deputados estaduais Marcelo Santos (PDT), Vandinho Leite (PSDB) e Lorenzo Pazolini (PRP). Os dois últimos se aproximaram a olhos vistos de Musso no processo de eleição da Mesa. Vandinho estabeleceu-se como um dos articuladores do presidente. Pazolini não sai mais do gabinete da presidência. Na véspera da eleição, Musso lançou uma revista para documentar as “marcas de sua gestão” na Assembleia. Dos deputados estreantes, Pazolini foi o único presente.
No grupo, Musso é a face aparente e a cara mais jovem, que procura representar a ideia de “renovação política”. O esforço para incorporar essa imagem sobressai a cada discurso e ato. Amaro, por sua vez, é o puxador de votos. Carneiro e Marcelo são os estrategistas e articuladores – o primeiro aparece pouco e tem atuação restrita aos bastidores; já Marcelo é um anfíbio: sabe operar debaixo d’água, mas também age na superfície (mandatário que é, também tem sua faceta pública). 
Para se fortalecer, o grupo de Musso tem buscado atrair para seu raio de influência outros jovens aliados, com potencial para se tornarem líderes políticos. Um deles é Alexandre Xambinho (Rede), recém-empossado na Assembleia, originalmente um aliado do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (outro que pretende chegar ao Palácio Anchieta, correndo em raia paralela). Todos os integrantes do grupo citados têm menos de 50 anos. O mais velho, Marcelo Santos, tem 48.
Segundo um deles, o projeto e a estratégia do grupo passa por uma “questão geracional”: “Está se formando um novo grupo político para governar o Espírito Santo nos próximos anos. O projeto é chegar ao Palácio Anchieta. O Renato [Casagrande] pode buscar se reeleger em 2022, mas o tempo joga a nosso favor. E aí, depois dele, quem vai governar o Estado? Rose de Freitas? Theodorico Ferraço? Max Mauro?”
A meta no horizonte deles é mesmo o Palácio Anchieta. Com quem? Com o próprio Musso? “Pode ser”, responde a nossa fonte. Em 2022, ele estará com 35 anos. Na eleição estadual seguinte, terá 39. Investindo nessa meta em médio prazo, o parlamentar de Aracruz, candidato derrotado à prefeitura da cidade em 2016, não pretende disputar a próxima eleição municipal, no ano que vem. Na perspectiva desse projeto mais ambicioso cultivado por seu grupo, isso seria dar um passo atrás.
Musso, aliás, não deve nem tentar novo mandato na Assembleia. Seu próximo passo deve ser trabalhar para chegar, em 2023, à Câmara Federal, onde hoje já encontra-se Amaro. Antes disso, em fevereiro de 2021, pode tentar emendar um terceiro biênio no comando da Assembleia – o que também é estratégico tendo em vista o “projeto maior”.
Musso não disputará a eleição de 2020, mas ela também é vista como um passo decisivo para as aspirações do grupo. A Assembleia foi a primeira “plataforma” tomada por eles. A segunda, onde também se preparam para fincar a própria bandeira, é uma prefeitura da Grande Vitória. “Precisamos de pelo menos uma. Se for a da Capital, melhor”, diz a nossa fonte.
Após ter tirado tinta da trave em 2016, Amaro é cotado para ser, de novo, candidato a prefeito da Capital. Vandinho deve tentar a sorte na Serra – onde Xambinho também planeja disputar. Daí pode sair a principal plataforma de lançamento rumo ao Palácio. Ou seja, o candidato do grupo ao governo também poderá ser Amaro.
Para a compreensão desse movimento – e do tamanho de suas pretensões –, não é demais sublinhar uma característica fundamental: ele tem vida própria; independe de Casagrande, de Hartung e de Manato. É o que detalharemos melhor aqui amanhã.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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