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Vitor Vogas

Erick Musso deve muito a Theodorico

Confira a coluna Praça Oito desta segunda-feira (4)

Publicado em 03 de Fevereiro de 2019 às 23:53

Públicado em 

03 fev 2019 às 23:53
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Crédito: Arabson

Destronado por Erick Musso (PRB) da presidência da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM) foi, além de Sergio Majeski (PSB), o único deputado que não assinou a lista de apoio à reeleição de Musso. Este, porém, só se reelegeu para mais um biênio à frente da Assembleia graças a Theodorico! Foi ele, Theodorico, quem costurou as emendas à Constituição Estadual (C.E.) que hoje permitem a “reeleição eterna” do presidente.

Na época, claro, Theodorico atuou em causa própria. Ele então era o presidente e queria viabilizar a sua própria permanência no poder.

Até 2014, nenhum membro da Mesa podia se reeleger, em qualquer hipótese. Naquele ano, porém, os deputados aprovaram a emenda constitucional nº 99/2014, que mudou o artigo 58 da C.E., permitindo “ao presidente a recondução para o mesmo cargo no biênio imediatamente subsequente da legislatura seguinte”. Ou seja, na virada de mandatos. Assim, Theodorico pôde ser reeleito em fevereiro de 2015, quando começou a legislatura 2015-2019, encerrada na última quinta-feira (31). É por esse mesmo dispositivo que Musso pôde ser reeleito no dia seguinte, sexta-feira (1º), quando se iniciou a legislatura 2019-2023.

Ou seja, mesmo que indiretamente, Musso deve muito a Theodorico.

NOVO THEODORICO?

Em 2016, ainda sob a gestão de Theodorico Ferraço, os deputados aprovaram uma nova emenda (a nº 104/2016), ficando permitido “ao presidente a recondução para o mesmo cargo no biênio imediatamente subsequente”. Ponto.

Desde então, o presidente pode ser reeleito indefinidamente, seja de uma legislatura para outra, seja dentro da mesma legislatura. Em 2016, o comentário geral era que Theodorico tinha mexido de novo no texto de modo a abrir caminho para ele mesmo continuar no cargo. Não deu certo, porque Erick o derrotou nos bastidores. Mas esse mesmo dispositivo permite que Musso tente emendar um terceiro biênio na presidência, na próxima eleição, em fevereiro de 2021 – que marca a metade do mandato iniciado na última sexta-feira. Será que ele tentará?

Um pouco por inexperiência, um pouco por afobação, alguns deputados eleitos que chegam à Assembleia agora para o 1º mandato cometeram alguns erros de principiantes no processo de eleição da Mesa Diretora. O primeiro deles foi o de entender que a votação pessoal de cada um para entrar na Casa teria peso na definição dos ocupantes dos cargos mais cobiçados. Não faz a menor diferença. Uma vez lá dentro todos têm o mesmo tamanho, e os cidadãos que os elegeram não votam para a Mesa. Outro erro foi o de acreditar que o combinado de hoje se manterá amanhã. “Só não serei se nevar no Espírito Santo”, disse-nos um novato cotado para ocupar o cargo X dois dias antes da eleição da Mesa. Não nevou em solo capixaba. Mas ele não ficou com o cargo.

PREFEITÁVEIS DE VITÓRIA

Na posse do novo secretário de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória, Bruno Toledo, na última segunda-feira, a mesa de autoridades foi dividida por três agentes públicos apontados como possíveis candidatos a prefeito de Vitória em 2020: Fabrício Gandini (PPS), Sérgio Sá (PSB) e Cleber Felix (PP).

CONVENÇÃO TUCANA

Deputados estaduais recém-empossados, os tucanos Vandinho Leite e Emilio Mameri trabalham para construir chapa de consenso, encabeçada por Vandinho, para levar a Executiva estadual do PSDB. A próxima convenção estadual ocorrerá em março. A última, em novembro de 2017, foi traumática, colocando em lados opostos a chapa de César Colnago (vitoriosa) e a de Max Filho. “Queremos juntar os cacos”, conta Mameri.

ARQUITETURA DA CHAPA

Muito próximo a Luiz Paulo (agora no PPS), Mameri apoiou Max Filho em 2017. Já Vandinho ficou com Colnago, tornando-se secretário-geral do PSDB-ES. Ex-presidente do PSDB de Vitória, Mameri também é bem relacionado com Ricardo Ferraço. Diz que a ideia é fazer um movimento de reconciliação, com Vandinho na presidência. Para a vaga de secretário-geral, querem Ricardo Santos – tucano histórico, que também ficou com Max em 2017. Muito respeitado, Santos é considerado uma voz da moderação dentro do partido.

E COLNAGO?

Mameri indica que Colnago teria chances remotas de reeleição na presidência. “O momento é outro.”

E GOGGI?

Em Vitória, Wesley Goggi se articula para voltar a ser presidente municipal. “Paciência”, diz Mameri.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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