O senador Marcos do Val (PPS) nomeou uma sobrinha do governador Renato Casagrande (PSB) para ocupar um cargo comissionado em seu escritório de apoio, em Vitória. Amanda Vianna Casagrande Marchezi exerce a função de auxiliar parlamentar intermediário no gabinete de representação de Do Val, com salário de R$ 6,7 mil, mais quase R$ 1 mil de auxílio-alimentação.
Marcos do Val lançou-se ao Senado em 2018 pela coligação de Casagrande e com apoio do grupo político do socialista. A assessoria de imprensa do senador confirma o parentesco de Amanda Casagrande com o governador. Informa que, assim que foi eleito, Do Val pediu indicações ao grupo político que o acompanhou durante as eleições.
“Várias indicações foram feitas, entre elas a da Amanda, que passou por um processo de análise, como todas as outras pessoas. Foram enviados currículos, realizadas entrevistas e selecionadas as pessoas que mais se adequavam ao perfil que o senador estava buscando, sem qualquer influência de grau de parentesco com quem quer que seja.”
Segundo a assessoria de Marcos do Val, Amanda Casagrande faz parte do Núcleo de Projetos do gabinete, que fica dentro do Corpo de Bombeiros. “O núcleo recebe demandas das principais forças de segurança do Estado (Polícia Civil, PMES e Corpo de Bombeiros) e trabalha na elaboração de projetos para captação de recursos federais disponíveis, através da plataforma Sinconv.”
Amanda não é a única assessora de gabinete de Do Val que possui vínculo familiar direto com membros da alta cúpula do governo Casagrande. Na verdade, chama atenção o número de assessores lotados no gabinete do senador que têm essa característica em comum.
Conforme já noticiamos, a chefe de gabinete de Casagrande, Valésia Perozini (PSB), indicou o irmão dela, Lourival Perozini Inácio, para assessorar Do Val. O irmão de Valésia está lotado em cargo correspondente ao de Amanda e com os mesmos vencimentos.
Em conversa com a coluna, Valésia confirmou que a indicação partiu dela, a pedido do senador. Disse que ambos são amigos de longa data e que ela o apoiou e o orientou bastante durante a campanha. Natural de Castelo, Lourival continua residindo no município. Segundo Valésia, sua atribuição é captar demandas da região Sul do Estado para o mandato de Do Val, reunindo-se com líderes políticos e comunitários da região.
Quem também ocupa cargo comissionado – de livre indicação política – no gabinete de Do Val é o ex-presidente da Câmara de Cariacica Adilson Avelina (Podemos). Ele é o marido da vice-governadora do Estado, Jacqueline Moraes (PSB). Com salário bruto de R$ 9 mil por mês, mais auxílio-alimentação, ele é auxiliar parlamentar pleno no escritório de apoio do senador.
Jornalista profissional como a mãe, Gabriela Mignoni é a assessora de comunicação do senador. Ela é filha da superintendente estadual de Comunicação, Flávia Mignoni, que fez a campanha de Casagrande e, assim como Valésia, faz parte do núcleo duro do atual governo do socialista (assim como no anterior).
Por meio de sua assessoria, Do Val confirma que pediu indicações de nomes a Renato Casagrande, a Valésia e a políticos de seu partido, o PPS. Ele ressalva, porém, que nem todas as indicações foram absorvidas e que todas passaram por análise e seleção. Acrescenta que não indicou nenhum conhecido, familiar ou parente para preencher cargos no governo Casagrande (o que exclui a possibilidade de nepotismo cruzado, por exemplo).
“Por ser um político inexperiente, fui atrás de profissionais qualificados e que já haviam vivenciado o meio político e legislativo do nosso Estado e do Senado Federal”, disse Do Val, por nota.
O CASO MAIS FAMOSO
Todos os assessores citados atuam no escritório de representação que o senador tem direito de manter, em Vitória. No gabinete em Brasília, como noticiado pelo Gazeta Online e outros veículos, a namorada de Do Val, Brunella Poltronieri Miguez, ficou lotada de fevereiro a abril – primeiro como auxiliar parlamentar pleno AP-07, com salário de R$ 8,9 mil por mês, depois em cargo de nível AP-010, que lhe rendia R$ 13,4 mil por mês.
Segundo o senador, eles não namoravam quando ela foi nomeada. Após o início do relacionamento, Do Val a exonerou. E a indicou para o cargo de secretária parlamentar na Consultoria Legislativa do Senado, onde hoje está, com vencimentos de R$ 18 mil.