Divisão dos espaços na Assembleia: quem ganha e quem perde
Vitor Vogas
Divisão dos espaços na Assembleia: quem ganha e quem perde
Nova distribuição das forças políticas na Casa mostra perda de poder de Theodorico Ferraço, fortalecimento de Fabrício Gandini e, sobretudo, de Enivaldo dos Anjos
Enivaldo dos Anjos ganhou, enquanto Theodorico Ferraço perdeu na redivisão dos espaços na Assembleia LegislativaCrédito: Assembleia Legislativa
A composição das 15 comissões permanentes da Assembleia Legislativa, definida na tarde desta segunda-feira (4), fornece a fotografia da nova configuração de forças políticas na Casa. Em primeira análise, quem mais sai perdendo é o veterano Theodorico Ferraço (DEM). Quem mais ganha são os deputados Fabrício Gandini (PPS) e, acima de tudo, Enivaldo dos Anjos (PSD).
Em sessão plenária realizada na tarde desta segunda-feira, os membros das 15 comissões foram lidos pelo deputado Marcelo Santos (PDT), presidente do blocão parlamentar criado na última sexta-feira (1º) com esse fim. Em seguida, as formações de cada colegiado foram votadas e aprovadas pelo plenário.
Confira abaixo os destaques:
THEODORICO FERRAÇO
Ex-presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço ficou de fora da Mesa Diretora eleita na última sexta-feira. Dos 30 deputados empossados naquele dia, ele foi o único que não assinou a lista para participar do blocão. Como consequência, ficou com espaço bastante limitado na partilha dos espaços nas comissões.
De acordo com o regimento interno da Assembleia, cada deputado é obrigado a participar de pelo menos uma comissão e pode participar de até quatro. Theodorico foi escalado para apenas uma: será um dos membros titulares da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos – membro comum, sem a presidência nem a vice-presidência.
Outro que obteve espaço reduzido, muito aquém do que chegou a almejar, é o ex-vereador de Colatina Renzo Vasconcelos (PP), que chega agora à Assembleia. Em meados de janeiro, Renzo chegou a admitir que gostaria de ser titular da Mesa Diretora. Na Mesa, não conseguiu entrar nem como suplente. Nas comissões, ficou como titular somente da de Saúde, presidida por Hércules Silveira (MDB).
ENIVALDO E GANDINI
As três comissões consideradas as mais importantes são, nesta ordem: a de Constituição e Justiça; a de Finanças e Orçamento; e a de Cidadania e Direitos Humanos. Isso com base no volume de projetos que passam por lá. Antes de poderem ser votados em plenário, todos os projetos precisam receber parecer das comissões de Justiça e de Finanças, e quase todos recebem parecer da de Cidadania.
Fabrício Gandini (PPS) e Enivaldo dos Anjos são os únicos titulares tanto da Comissão de Justiça como da de Finanças. Gandini ficou com a presidência da Comissão de Justiça. Já Enivaldo é o novo vice-presidente da de Finanças.
Gandini é recém-chegado à Casa, enquanto Enivaldo é um deputado experiente (acaba de iniciar o 5º mandato na Assembleia). Em comum, os dois são aliados de primeira hora do governo de Renato Casagrande (PSB).
Gandini é presidente estadual do PPS, partido do prefeito de Vitória, Luciano Rezende, um dos principais aliados de Casagrande.
Já Enivaldo é simplesmente o líder do governo Casagrande no plenário, anunciado pelo governador na última quinta-feira.
SÓ DÁ ENIVALDO
Além disso, Enivaldo é o único deputado com cadeira de titular nas três comissões mais importantes: Justiça, Finanças e Cidadania, sendo que, nesta última, ainda ficou com a presidência.
Além de estar nesses três colegiados, ele foi escalado como titular de uma quarta comissão muito importante: a de Segurança e Combate ao Crime Organizado.
Segundo um parlamentar com muitos anos de Casa, a importância de Enivaldo figurar nessas comissões é exatamente por ele ser o líder do governo. "O líder tem mesmo que figurar em todas essas comissões porque é o cara que vai explicar e debater os projetos do governo."
LISTA COMPLETA
Confira, abaixo, os titulares das 15 comissões permanentes da Assembleia pelo próximo biênio:
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.