Dois assessores lotados no gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sérgio Borges (ex-MDB) fazem parte da chapa do ex-deputado federal Marcelino Fraga na eleição do Diretório Estadual do MDB: o chefe adjunto de gabinete do conselheiro, João Alfredo Ribeiro, e o consultor de finanças públicas Renato Borges.
A informação foi transmitida à coluna por Lelo Coimbra, atual presidente estadual do MDB e adversário de Marcelino na disputa interna.
Por meio de sua assessoria, Sérgio Borges informou que ambos os servidores são filiados históricos do antigo PMDB e que na última eleição interna estiveram com Lelo. O conselheiro também afirmou que não teve nenhuma interferência nem envolvimento na decisão dos dois assessores de comporem a chapa de Marcelino, que respeita a decisão pessoal de cada um, mas que tem buscado manter-se o mais distante possível do processo eleitoral.
Marcelino nega ter apoio de Borges: “Não tem isso. Como conselheiro, ele não pode nem estar filiado nem fazer movimento partidário. Se tem alguém ligado a ele que está conosco, é direito de qualquer cidadão. A última vez que fui ao TCES foi há três meses.”
Marcelino também nega que conte com o apoio do governador Renato Casagrande (PSB). “Não conto. Fui eleitor dele várias vezes. Tenho carinho por ele e ele por mim. Até gostaria, precisaria imensamente disso. Mas, se você perguntar ao íntimo do governador, acho que ele torce por mim. Temos relacionamento pessoal e político. É diferente do Lelo, que é um homem de oposição a ele.”
Na convenção estadual do MDB, marcada para domingo, a chapa de Lelo e a de Marcelino vão disputar os votos dos 134 convencionais para a formação do próximo Diretório Estadual, composto por 71 assentos. Estes serão preenchidos, proporcionalmente, conforme o percentual de votos atingido por cada chapa. Exemplo: se a chapa 1 obtiver 60% dos votos, poderá preencher 60% das 71 vagas no Diretório: 42 ou 43.
Feito isso, passa-se à etapa seguinte: a definição dos membros da Executiva, órgão máximo de direção estadual do partido – novamente, respeitando-se a proporcionalidade dos votos na convenção. O Diretório eleito tem até cinco dias para compor a Executiva, mas normalmente isso é feito no mesmo dia, durante a convenção.
Por essa regra, Marcelino não poderá ter cargo de direção no MDB, mesmo que sua chapa, por exemplo, ganhe de goleada. Ele vai recorrer à Justiça: “Vou buscar os meus direitos constitucionais na Justiça e vou fazer essa resolução ir pelos ares. É uma resolução fajuta.”