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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Desprestígio ao esporte capixaba no governo

Nos últimos anos, os capixabas têm assistido a um acelerado rodízio no comando da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport)

Publicado em 13/01/2019 às 22h45

O esporte capixaba não é um dos campeões de prestígio por parte do poder público estadual. Na verdade, passa longe, muito longe, de figurar no pódio das áreas mais valorizadas pelos governantes do Espírito Santo, política e financeiramente. Trata-se de uma situação que perdura há muitos anos e que, pelo visto, persistirá em 2019. Dois fatores contribuem para essa constatação.

O primeiro é de ordem política. Nos últimos anos, os capixabas têm assistido a um acelerado rodízio no comando da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport). Na partilha dos cargos (para não dizer loteamento), o de secretário de Esportes tem sido rotineiramente reservado para o preenchimento das “cotas partidárias”. Foi assim no governo passado, de Paulo Hartung. É assim nesse início da nova gestão de Casagrande.

Sai governo, entra governo, a secretaria tem sido chefiada por políticos de partidos aliados ao governador da ocasião, em detrimento dos critérios técnicos que deveriam prevalecer nas nomeações. No último governo Paulo Hartung, de 2015 a 2018, a Sesport teve nada menos que seis secretários – a maior ciranda entre todas as pastas. Média de oito meses para cada ocupante do cargo. Uma conclusão inevitável é a de que isso prejudica a continuidade das políticas.

Antigo e multifuncional colaborador de Hartung, Valdir Klug começou o governo passado como interino, mas essa interinidade acabou durando um ano. Foi trocado pelo então deputado estadual Guerino Zanon (MDB), que ficou no cargo de janeiro a junho de 2016, só para poder disputar a Prefeitura de Linhares com o selo governista. No início de 2017, após alguns meses sob o comando de Edilson Barboza (técnico, mas interino), a pasta foi oferecida ao deputado estadual Amaro Neto (então no SDD), que indicou o então aliado Max da Mata (então no PDT). O vereador assumiu em fevereiro e, após menos de seis meses, deu lugar a outro aliado de Amaro, Roberto Carneiro, hoje dirigente do PRB. Em abril de 2018, a bola foi passada para o ex-deputado estadual Marcelo Coelho (PDT).

Agora mudou o governo, mas continuamos correndo em círculos numa pista olímpica nada gloriosa. Em novo sinal de desprestígio, no período de montagem da equipe, Casagrande voltou a reservar a secretaria para atender aliados políticos. Desta vez, a Sesport caiu na cota do PDT, que indicou uma lista de nomes ao governador. O escolhido na peneira foi o deputado estadual Marcelo Santos – diga-se de passagem, foi a penúltima secretaria a ter o titular anunciado. Mas, em uma situação sui generis, Marcelo desistiu de assumir a pasta, na última quinta-feira, antes mesmo de tomar posse, por conta do episódio Luiz Durão (PDT).

Resultado: o governo começa sem sabermos quem será o secretário de Esportes. Por enquanto, quem vai ficando, interinamente, é o também pedetista Alessandro Comper. Mas nem ele nem o governo sabem informar se ele será efetivado ou se virá aí um terceiro nome em tão poucos dias de administração.

Com a repetição precoce dessa dança das cadeiras, a mensagem que fica é a de que governo Casagrande vai manter a Secretaria de Esportes nesse patamar inferior. E essa sensação ruim é reforçada por um segundo fator: o de ordem financeira (veja notas ao lado).

Marcelo Santos anunciou a desistência na quinta-feira. Dois dias antes, foi anunciado o Orçamento para 2019. Deve ter ficado bem desanimado...

Na zona da degola

Também no Orçamento estadual, a Sesport fica longe do pódio das áreas priorizadas pelo governo na distribuição dos recursos. Uma série de números provam isso. Para 2019, Casagrande reservou R$ 21,6 milhões para desenvolver o desporto capixaba. É 16,5% a menos do que os R$ 25,9 milhões orçados em 2018. Mas é pior do que parece.

Recorde negativo

No Orçamento que será votado hoje na Assembleia, a fatia destinada à Sesport corresponde a 0,12% da receita total prevista para 2019. É a destinação orçamentária mais baixa para a área no período de 13 anos analisados pela coluna (verificamos as leis orçamentárias desde 2007, disponíveis no site da Secretaria de Planejamento, que elabora as peças). Só em 2017 houve empate.

Beijou a lona

Em 2007, o orçamento da Sesport foi de R$ 21,6 milhões, rigorosamente o mesmo previsto para 2019. Só que, nesse intervalo, o orçamento total do Estado quase dobrou. Isso sem mencionar a inflação acumulada no período...

Sarrafo ficou mais baixo

Durante a administração anterior de Casagrande, a Sesport recebeu o maior volume de recursos, tanto em números absolutos como no tamanho da fração da receita estadual para a área. 2011: R$ 46,7 milhões (0,36%); 2012: R$ 59,7 milhões (0,47%); 2013: R$ 54,1 milhões (0,38%); 2014: R$ 106,5 milhões (0,69%, recorde histórico). A partir de 2015 (governo PH), com a queda na arrecadação, a secretaria foi uma das que mais sofreu. De 2015 a 2018, seu orçamento oscilou entre R$ 19,6 milhões (0,12%) e R$ 30,1 milhões (0,17%).

CENA POLÍTICA

Piada de um gaiato sobre o intenso revezamento à frente da Sesport na administração anterior de Paulo Hartung: a secretaria só foi campeã no revezamento quatro por sem entregas – poucas entregas, na verdade –, ou do quatro por sem recursos, com barreiras orçamentárias.

paulo hartung vitor vogas

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