Uma ausência chamou a atenção de todos na cerimônia de formatura de uma turma de 600 sargentos da Polícia Militar do Espírito Santo na noite desta quarta-feira (22), no ginásio de um clube de Vitória: a do governador Renato Casagrande (PSB), comandante em chefe da PMES.
A participação do governador no evento não constava na agenda oficial enviada à imprensa pela assessoria do Palácio Anchieta. De todo modo, segundo fontes ligadas à PMES, não é comum o governador faltar a solenidades desse tipo.
De acordo com as mesmas fontes, o motivo da ausência de Casagrande pode ter sido outro: nos bastidores, setores da PMES insatisfeitos com o governo articulavam uma manifestação para protestar contra o governador e vaiá-lo durante a cerimônia.
Eles cobram um reajuste salarial que ainda não veio em 2019 e nem têm garantia de que será concedido pelo governador. No ano passado, ao fazer o orçamento para este ano, o governo Paulo Hartung deixou na peça enviada à Assembleia Legislativa a previsão de aumento de 4% para o funcionalismo.
Porém, ao assumir, Casagrande preferiu “segurar” a concessão do reajuste, argumentando que o momento exige cautela em razão do cenário político e econômico do país, conturbado e repleto de incertezas.
Em janeiro, Casagrande concedeu anistia administrativa, aprovada na Assembleia Legislativa, a PMs que respondiam por envolvimento na paralisação de fevereiro de 2017. Até 23 militares já expulsos da corporação foram reincorporados, com direito a pagamentos retroativos.
Em abril, após embates com as associações de classe, o governador sancionou a nova lei de promoções de praças e oficiais da PMES e dos Bombeiros Militares, alterando as regras fixadas pela lei de Paulo Hartung, sancionada após a greve, em março de 2017. A nova lei de Casagrande não agradou a todos.
EXPLICAÇÃO DO PALÁCIO
Procurada para explicar o não comparecimento de Casagrande, a assessoria do Palácio Anchieta informou o seguinte:
“O governador do Estado participa de formaturas para ingresso, comemorações de aniversários da corporação e troca do Comando Geral. Tanto solenidades como habilitação, que são etapas internas da carreira, quanto posse de comandantes das companhias, são atos de responsabilidade do comandante-geral da Polícia Militar”.
Além do atual comandante-geral, o coronel Barreto, a alta cúpula da Segurança Pública do governo foi representada pelo secretário Roberto Sá. Ele fez um breve pronunciamento. Já Barreto discursou sobre a importância dos sargentos, na hierarquia da tropa, como um elo entre os praças e o alto oficialato. O ginásio estava lotado.
A FORMATURA
A turma formada nesta quarta-feira (22) realizou o Curso de Habilitação de Sargentos (CHS), iniciado em setembro de 2018, já sob as regras estabelecidas na lei de promoção de praças sancionada por Paulo Hartung em 2017. Seiscentos cabos da PMES foram promovidos ao posto de sargento. A lei de Hartung criou essas novas vagas de sargento.
A turma levou o nome de um aluno que morreu de um mal súbito durante o curso.
PRECEDENTE
Segundo um oficial da PMES, falando sob condição de anonimato, é raro o governador faltar a cerimônias como essa.
“Ausência como essa só foi sentida em 2015, quando o então governador Paulo Hartung não foi à formatura de soldados e foi representado pelo vice-governador, César Colnago, que foi vaiado na fala dele no final da solenidade. Pelo que vimos, talvez a ausência do governador tenha se dado porque poderia acontecer uma vaia contra ele também”, especula o oficial.