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VITOR VOGAS

Casagrande: governo de ruptura

Em entrevistas durante a transição, ele já havia afirmado que desta vez o seu governo, ao contrário do primeiro, será de "ruptura"

Publicado em 02 de Janeiro de 2019 às 08:39

Públicado em 

02 jan 2019 às 08:39
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Ao tomar posse para o primeiro governo, no dia 1º de janeiro de 2011, Casagrande discursou, em frente ao Palácio Anchieta: “O difícil é governar para os excluídos, para quem não tem apoio, para quem não chega até o Palácio”. Oito anos depois, voltando a vestir a faixa que tornou a receber das mãos de Hartung, Casagrande de certo modo retomou aquele seu primeiro discurso de posse.
Em entrevistas durante a transição, ele já havia afirmado que desta vez o seu governo, ao contrário do primeiro, será de “ruptura”. Essa ideia já se materializara na formação da sua equipe de governo, na qual nem sequer um secretário de Hartung foi aproveitado – muito diferentemente do primeiro governo Casagrande. Em seus discursos nesta terça-feira (1º), o socialista indicou que quer dar a essa “ruptura” um significado mais amplo. Quer romper, acima de tudo, com o “modelo de gestão” adotado por seu antecessor – em sua própria concepção, um “modelo exclusivamente fiscalista”. Nesse sentido, anunciou uma radical mudança de foco, com mais entregas para a sociedade, mas sem perder de vista a responsabilidade fiscal e jurando “compromisso inarredável” com o equilíbrio das contas públicas estaduais.
A crítica ao governo Hartung foi reta. Casagrande indicou que um governante não pode se preocupar somente em manter o equilíbrio fiscal; que de nada adianta se esforçar para fazer superávit se isso não vier acompanhado de melhorias nos serviços do Estado e na vida das pessoas. Após citar uma série de políticas públicas lançadas por ele em seu primeiro mandato, afirmou que essas ações “sucumbiram à visão exclusivamente fiscalista que orientou o governo passado (o de Hartung)”. “E foi para mudar esse foco, foi para mudar esse modelo de gestão que os capixabas se manifestaram nas urnas.”
“As opções feitas pelo governo que agora se encerra custaram um preço alto no campo social e econômico. Um preço desnecessário, consequência de um modelo conservador. (...) Recebo um Estado que enfrenta enormes carências em áreas essenciais, como saúde, segurança e educação”, disse Casagrande, criticando a interrupção ou abandono de programas e obras em diferentes estágios de execução por “questões meramente políticas”.
“A responsabilidade que assumo junto com essa faixa vai muito além da busca do equilíbrio entre receita e despesa”, afirmou ele, prometendo retomar os investimentos em áreas sociais, resgatar os projetos de mobilidade urbana e concluir obras iniciadas no seu 1º mandato. Ele disse querer “trazer de volta uma gestão democrática, humanista e inovadora”.
Assim, Casagrande assumiu dois compromissos importantíssimos, e a intenção de cumprir os dois simultaneamente, sem que um exclua o outro: manter as contas estaduais em ordem, mas com mais investimentos (ou seja, mais gastos sociais). Conciliar as duas coisas não será tarefa fácil. Exigirá muita habilidade política e administrativa. Veremos se ele as terá.
Homenagem controlada
Na posse de Casagrande em 1º de janeiro de 2011, a escritora Elisa Lucinda compôs a mesa de autoridades e foi convidada a falar. Empolgou-se e fez um longo discurso antes de Casagrande. Desta vez, o governador não quis correr riscos. Homenageou outra autora capixaba, Bernadette Lyra, mas de um modo que ele pudesse controlar: abriu o próprio discurso citando um texto poético da escritora sobre o amor pelo Espírito Santo.
Ausente
O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Aboudib, faltou à posse de Casagrande. Segundo a assessoria do TCES, ele está fora de Vitória, em viagem pessoal. O tribunal está em recesso.
Presente!
“O prefeito Luciano está aqui?”, quis saber Casagrande, quando ia saudar os prefeitos. Sentado no canto do salão São Tiago, Luciano levantou a mão. Casagrande então o chamou de “companheiro, amigo, leal e fiel”. “Já trabalhamos muito juntos e vamos trabalhar mais.”
Mais uma baixa
Luciano deve perder mais um secretário municipal para a equipe de Casagrande. O secretário de Trânsito de Vitória, Luiz Paulo de Figueiredo, vai ser subsecretário estadual de Transportes.
Saudades 1
“Fique em paz, Camata!” Palavras de Casagrande, em discurso no Palácio Anchieta, para o ex-governador Gerson Camata, assassinado há sete dias.
Saudades 2
Casagrande se emocionou ao mencionar seu pai, Augusto Casagrande, o seu Augustinho, morto em 2014. “Não tem como não lembrar do meu pai, que faz muita falta pra todos nós.”
Povoação no Palácio
O pai não pôde estar presente. Em compensação, a família Casagrande, com raízes no distrito de Povoação, em Castelo, superpovoou a Assembleia e o Palácio Anchieta: os quatro irmãos e duas irmãs do governador comparecerem, assim como a sua mãe, dona Anna, de 86 anos.
A mais poderosa
Escoltada pelas filhas, Lúcia e Rita, dona Anna – ou Annita, como é chamada pelos parentes – deixou este conselho para o filho mais famoso: “Falei muitas vezes com ele que tem que ser um governo bom, que tem que andar direitinho, que não pode fazer coisas desonestas”.
Fôlego de menina
Falando em senhorinhas poderosas, Casagrande também rendeu sua homenagem a dona Hilda Cabas, que volta à função de cerimonialista do Palácio Anchieta. “Noventa anos de pura juventude! Dona Hilda nem aqui está. Ela tá lá pra dentro fazendo alguma coisa.”
“Caiu bem”
“Essa faixa caiu bem aqui, coube bem”, brincou Casagrande, no início do discurso. “Mas ao mesmo tempo vem com uma responsabilidade muito grande”, completou, logo em seguida.
Canja de galinha
A propósito, as palavras mais usadas por Casagrande no discurso no Palácio Anchieta foram responsabilidade e cautela.
Cartão de visitas
No primeiro discurso após a posse, em pleno plenário da Assembleia, Casagrande saudou todo o secretariado na pessoa de Davi Diniz (PPS), “que será uma presença frequente aqui”. Como chefe da Casa Civil, Diniz fará a articulação política com os deputados estaduais.
Ex-governadores
Na ala dos ex-governadores, Max Mauro e José Ignácio Ferreira prestigiaram Casagrande. Ambos abraçaram o governador recém-empossado.
República de Castelo
“Viva a República Capixaba de Castelo!”, brincou o novo arcebispo de Vitória, dom Dario Campos. Assim como Casagrande, ele nasceu no município. Mostrando um ar de modernidade, o religioso citou uma letra do grupo Rappa durante sua bênção.
Iranilson no Bandes
Secretário de Habitação durante o primeiro governo de Casagrande, Iranilson Casado deve ser diretor de Administração e Finanças do Bandes. Ele era do PDT, mas em março do ano passado migrou para o PPS, acompanhando o movimento de Josias da Vitória.
Bonde dos dirigentes
Presidente estadual do PHS, o ex-vereador de Vitória Rogerinho Pinheiro será acomodado em algum cargo no governo Casagrande. Presidente estadual do PROS, o deputado estadual Sandro Locutor também é cotado. Os dois apoiaram a eleição do socialista.
Novo homem forte
Os decretos a serem publicados nesta quarta-feira (2) confirmam a força que terá Tyago Hoffmann (PSB) no atual governo. Estudos de cortes de despesas a serem realizados pelos demais secretários passarão primeiro por ele antes de seguirem para o governador.
Eles têm a força
Aliás, anotem aí. Este é o novo núcleo duro do governo no Espírito Santo: da esquerda para a direita, a chefe de gabinete, Valésia Perozini (PSB); Tyago Hoffmann; a secretária de Comunicação, Flavia Mignoni; e Davi Diniz.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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