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Vitor Vogas

Casagrande critica conduta de Moro em conversas com Deltan

Para governador do Espírito Santo, diálogo do então juiz com o chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba mostram "um descuido na relação entre o Poder Judiciário e o Ministério Público"

Publicado em 25 de Junho de 2019 às 18:39

Públicado em 

25 jun 2019 às 18:39
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
O governador do Estado, Renato Casagrande, e o ministro de Justiça, Sergio Moro Crédito: Secom/Divulgação

O governador Renato Casagrande (PSB) criticou a conduta do ex-juiz Sergio Moro nos diálogos travados via Telegram com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Para Casagrande, os diálogos revelam "um descuido na relação entre o Poder Judiciário e o Ministério Público" – representados no episódio, respectivamente, por Moro e Dallagnol.

Para Casagrande, a explicitação dos diálogos, publicados em reportagens do site "The Intercept Brasil", mostra "um caminho combinado" entre as duas instituições que não é o melhor para fortalecê-las. As declarações foram dadas em entrevista à coluna no fim da manhã desta terça-feira (25), após evento no Palácio Anchieta.

"Eu avalio que houve um descuido na relação entre o Poder Judiciário e o Ministério Público. Se isso teve interferência e influência no resultado final, eu não sei. Mas a explicitação de um diálogo e de uma parceria muita próxima entre o Ministério Público e o Poder Judiciário mostra de fato um caminho combinado entre as duas instituições que não é apropriado para o fortalecimento das instituições democráticas."

CONTEXTO

Os diálogos revelados pelo site "The Intercept Brasil" – segundo o site, obtidos por meio de fonte sigilosa  – sugerem atuação conjunta de Moro com o Ministério Público Federal (MPF), a parte acusadora, quando ele era juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável por julgar os processos da Lava Jato.

Mensagens divulgadas pelo site mostraram que Moro e Dallagnol mantinham colaborações. Por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram, os dois discutiam processos em andamento e comentavam pedidos feitos à Justiça pelo MPF. As conversas supostamente mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato.

Segundo as reportagens, Moro sugeriu ao MPF trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Em um dos diálogos, Dallagnon teria informado a outro procurador da força-tarefa, Carlos Fernando dos Santos Lima (hoje aposentado), que recebeu avaliação de Moro sobre o desempenho da procuradora Laura Tessler, em audiência de processo em que o ex-presidente Lula era réu. Após a avaliação negativa feita pelo juiz, a procuradora de fato foi trocada na audiência seguinte do processo.

Em outro diálogo, Dallagnol afirmou a Moro que havia ouvido do ministro do STF Luiz Fux uma manifestação de apoio à Operação Lava Jato. Moro, então, responde com a frase em inglês "In Fux we trust" ("Em Fux nós confiamos").

Moro ainda teria manifestado sua desaprovação a uma investigação iniciada pelo MPF sobre suposto caixa dois nas campanhas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), na década de 1990. Em mensagem enviada a Deltan no dia 13 de abril de 2017, Moro questiona se as suspeitas divulgadas pela imprensa contra FHC eram "sérias". O ex-juiz se referia ao relato de Emílio Odebrecht de suposto pagamento de caixa dois para campanhas de FHC à Presidência em 1994 e 1998.

Em resposta, Dallagnol diz acreditar que o braço da força-tarefa em Brasília teria enviado o caso a São Paulo sem analisar a prescrição "talvez para (o MPF) passar recado de imparcialidade". Moro diz achar que a medida é questionável e "melindra alguém cujo apoio é importante".

Em pedido de habeas corpus que será julgado pelo STF, a defesa de Lula questiona a isenção de Moro, agora ministro da Justiça e da Segurança Pública, para ter julgado o ex-presidente. A defesa alega que o então juiz atuou com parcialidade no processo do triplex do Guarujá, que resultou na condenação e na prisão de Lula.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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