Na ausência do governador Renato Casagrande (PSB), secretários de Estado foram rápidos na reação para estancar o princípio de crise gerado pela prisão do presidente do Banestes, Vasco Cunha Gonçalves, por suspeita de envolvimento em esquema de propinas no Banco de Brasília (BRB). Ex-presidente do BRB, Vasco foi um dos atingidos pela Operação Circus Maximus, deflagrada na manhã desta terça-feira (29) pela Polícia Federal. Na mesma manhã, secretários de Estado formaram uma espécie de gabinete de gerenciamento de crise.
Assim que a notícia sobre a operação começou a se espalhar, uma reunião de emergência foi convocada e realizada, com a participação de alguns membros do primeiro escalão – secretários fortes do governo nas áreas política e econômica. Ali mesmo foram definidas as medidas imediatas que o governo tomou a fim de minimizar os danos políticos causados pela operação. O objetivo foi abafar a repercussão do caso e, acima de tudo, tranquilizar os ânimos do mercado e da opinião pública. Isso enquanto Casagrande cumpria agenda no Rio de Janeiro, onde passa esta terça-feira.
Foi dessa reunião que saiu a primeira nota oficial enviada à imprensa, visando a evitar um estrago maior. Na nota, o governo informou que o nome de Vasco Cunha Gonçalves (que tomara posse nesta segunda-feira na presidência do Banestes) havia sido aprovado pelo Banco Central; que a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal transcorria em segredo de Justiça e o governo, assim, "foi surpreendido pelos fatos"; e que o Conselho de Administração do Banestes se reunirá no fim da tarde desta terça-feira para escolher, entre os oito atuais diretores, um presidente interino para substituir Vasco.
PRESIDENTE INTERINO
Ainda como parte do esforço de contenção de danos, o governo se apressou ainda mais e adiantou-se à própria nota: no início da tarde, antes mesmo da reunião do Conselho de Administração "no final da tarde", anunciou o nome de Silvio Henrique Brunoro Grillo, até então diretor de Tecnologia do Banestes, como presidente interino do banco estadual até que o novo presidente efetivo seja escolhido e nomeado.