Domingo é mais um dia em que vamos às urnas diante de um Brasil e um Estado divididos, “embolhados”. Nessas eleições, não estamos diante de dois projetos políticos, ou dois projetos de Estado, ou duas ideologias, estamos diante de duas mentalidades. O Brasil que confirmarmos no domingo, “pode” dizer respeito a quem somos, mas, sobretudo, a que Brasil vamos estruturar para o futuro. Domingo, seremos todos arquitetos do futuro.
Domingo, não votaremos no corrupto ou no não corrupto, no social, na economia, na justiça, votaremos na civilização, ou se preferir, no modelo de sociedade. Estamos falando de uma sociedade que deseja manter a ordem social estabelecida. Homem vale mais que mulher, magro vale mais que gordo, rico vale mais que pobre, americano vale mais que brasileiro, homem hétero vale mais que gay, mulher hétero vale mais que lésbica, empresário vale mais que o funcionário, quem pensa igual a mim vale mais do que quem pensa diferente, quem professa a mesma fé que a minha vale mais do que quem professa uma fé diferente. Que país é esse?
Domingo vamos escolher que modelo de sociedade nós queremos. Em um podcast recente, o pastor Ed René Kivitz já dizia e reforçava algo que pode ilustrar o que estamos pautando: “A sociedade deseja se manter estratificada”. E realça: “Quando temos uma sociedade em que a religião que se torna hegemônica, se julga no direito de depredar, destruir, incendiar religiões de matriz africana, não estamos falando de corrupção. Quando nós temos um país estruturalmente racista que ainda discute a legitimidade da cota racial, não estamos falando de corrupção, mas de modelo de sociedade”.
Domingo não vamos escolher que tipo de governo desejamos, mas em que tipo de sociedade, meus filhos, meus netos, meus amigos e eu mesmo queremos viver. Hoje, portanto, não vamos discutir Lula e Bolsonaro, estamos discutindo modelos de sociedade. A política de hoje diz muito mais sobre uma mentalidade que um projeto político.
Domingo, não vamos escolher um candidato pelo seu discurso de verdade. As fakes news são muito mais do que uma mentira explícita, é uma frase, uma expressão, fora de contexto, manipulada – que por sinal, recebemos em avalanches nos nossos celulares. O padre Antônio Vieira já dizia: “A palavra de Deus, usada com sentido diverso daquele que Deus pretendeu ao proferi-la, passa a ser palavra do diabo”.
Domingo, ao tocar na tecla confirma, podemos estar confirmando muitas coisas que não dizem respeito a nós, pelo simples fato de se ter acreditado nas falas fora de contextos, nas bolhas em que se vive, e ainda mais, no deus em que se acredita (ou que foi criado) e que “talvez nem exista”.
Domingo é domingo. Hoje é quinta. Não estamos diante só de um processo eleitoral. Não estamos diante de Lula e Bolsonaro. Estamos diante de mentalidades civilizatórias. Nas urnas vamos confirmar uma mentalidade e não um presidente.