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Brasil

Censura no Lollapalooza: embaçaram a liberdade de expressão?

O que o Brasil mais necessita é de nitidez. Uma vez que as nuvens de fumaças que advêm da política e da justiça têm arrancado a clareza e a definição da imagem do presente e do futuro

Publicado em 31 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

31 mar 2022 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Banda Fresno projeta ''Fora Bolsonaro
Banda Fresno projeta ''Fora Bolsonaro" no palco durante o festival Lollapalooza. Crédito: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Ag. O Globo
Quem acompanhou um pouco das notícias no último fim de semana percebeu o que o Brasil está significando. No palco do Lollapalooza surgem e emergem gritos de opinião contra uma política incongruente com a realidade e com a própria origem da política.
Os artistas usaram o palco para expressar uma opinião, que pela aclamação do público fazia sentido para muitos dos presentes. Que opinião é essa? Que o Brasil não vai bem com quem está na liderança. Os gritos de “Fora, Bolsonaro” e demais deram conta de exprimir a “angústia” dos artistas.
E agora: campanha eleitoral antecipada ou liberdade de expressão? Calma! O próprio PL que “condenou o Lollapalooza” foi o mesmo que produziu, no mesmo fim de semana, um super evento (com fisionomias eleitorais) para lançar Bolsonaro a pré-candidato? Será que Freud pode nos ajudar? Quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo? Pelo visto acusaram o outro daquilo que eles mesmos estavam fazendo. Não está fácil o Brasil.
Mas tem mais: na segunda-feira (28), devido ao peso da repercussão na mídia e no palco, o PL volta atrás e o ministro do TSE também. Veja que movimento: falas no palco, o interesse de um partido para atacar a outro. A canetada de um ministro. A descanetada. Da noite para o dia uma mudança de compressão e uma mudança de responsabilidade. O PL desiste da petição. Temos segurança jurídica?
A impressão que temos é que a polarização tem embaçado a compressão, sobretudo de liberdade de expressão à censura, ou até a publicidade eleitoral, nesse caso. Polarizados se atacam, querem usar as armas da justiça, e acabam produzindo censuras. Onde vamos parar? Não está fácil o Brasil.
Tudo que o Brasil mais necessita é de nitidez. Uma vez que as nuvens de fumaças que advêm da política e da justiça têm arrancado a clareza e a definição da imagem do presente e do futuro. Por vezes nos pegamos perguntado: o que está acontecendo? Voltamos à era primária e estamos quase tendo de consultar o dicionário para rever e compreender uma vez mais: o que é liberdade de expressão; o que é publicidade adiantada; o que é censura.
Saímos de um fim de semana turbulento. De quem esperávamos ou esperamos sensatez vieram as dúvidas e as perguntas. Alguns diziam: chegamos ao fim! Não dá para crer que temos ministros que agem sem saber o que estão fazendo, nem tampouco, o que a ação deles significam! Não está fácil o Brasil. Será que vamos sair dessa peleja?

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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