Estamos em uma semana bastante conturbada. O ódio vem cada vez mais ganhando espaço. Assuntos inconcebíveis como nazismo e facismo estão renascendo e já sabemos o motivo. Todavia, nesta semana, o assunto eclodiu no streaming a partir da fala do podcaster Bruno Aiub, conhecido como Monark, que defendeu com “unhas e dentes” a legalização de um partido nazista no Brasil.
No mesmo dia, o procurador-geral da República, Augusto Aras, originou a abertura de um inquérito para averiguar se houve crime de apologia ao nazismo nas falas de Monark e do deputado Kim Kataguiri, um dos convidados do podcast #545, realizado na noite de segunda-feira (7). A também deputada Tabata Amaral foi a outra convidada do programa e levantou a sua voz com repulsa para o assunto em abordo.
Nesse emaranhado, temos uma questão bastante emblemática e que diz respeito à presença das marcas nesses ambientes, bem como o risco que correm a partir de uma fala, uma posição, uma palavra. É notório que as reverberações do caso foram gerando um esvaziamento das marcas patrocinadoras do programa. Estamos diante de uma necessidade de proteção que as marcas necessitam para evitar a entrada em imbróglios e tudo começa por uma questão muito específica: o posicionamento precisa vir antes do desejo de audiência.
Uma coisa que toda marca precisa saber, sobretudo em contextos de influenciadores digitais: todo influenciador é embaixador, é porta voz da marca. O seu jeito de ser e posicionamento estão vinculados com aquela marca, com aquele nome, com a reputação. É fundamental que as marcas, grandes ou pequenas, antes de qualquer negociação, que busquem a conduta do influenciador, o que ele pensa e acredita, o que ele dissemina e consome. Nem sempre a crença de um “conquistador de multidões” seja a mesma da sua marca.
O Caso Flow evidencia um problema que podemos evitar. As marcas grandes ou pequenas, de grande ou de médio porte, em parceria com atrizes ou influenciadores locais, precisam de um cuidado e um zelo a partir dos valores que são compartilhados. Analisar comportamentos, opiniões, e quais lugares esses influenciadores ocupam (no social, no digital, no debate), faz toda a diferença.
Uma parceria fechada significa sempre um casamento da marca e seus valores, da sua identidade com seus consumidores. As marcas precisam sempre compreender que um contrato assinado precisa de cláusulas e de clareza. E, quando o patrocínio não dialoga ou deturpa seus valores, é melhor o divórcio.