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Sociedade

Por que estamos cada vez mais distantes dos nossos vizinhos?

De acordo com o site G1, o número de agressões entre vizinhos e funcionários de condomínios e prédios aumentou em todo o Brasil em 2023, tendo como motivação a incapacidade das pessoas de lidar com as situações de conflitos

Públicado em 

11 set 2023 às 00:50
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Havia um tempo em que seu vizinho era o familiar mais próximo. Aquele que socorria na dificuldade, que cedia um pouco de açúcar, que partilhava vivências, sentava na calçada nas noites quentes para contar histórias. A vigilância dos filhos era compartilhada. Associações surgiam como forma de luta coletiva. Os nascimentos eram celebrados. As mortes eram choradas.
Uma proximidade de vizinhança que durante muito tempo, principalmente em bairros mais históricos das cidades e em cidades do interior, foi uma forma de fortalecer o bem viver e enfrentar as dificuldades da vida, hoje tem se tornado um ponto de tensão entre vizinhos, principalmente em condomínios.
No passado as potências de uma pessoa se estendiam em ajuda para outras tantas, e era assim, que comunidades inteiras sobreviviam. Era troca, e não venda de serviços. Hoje, excetuando alguns bairros mais periféricos que ainda preservam o espírito de comunidade para o viver, na maioria das vezes, em bairros nobres e de classe média, o que vemos são pessoas ensimesmadas, incapazes de partilhar qualquer coisa, que compreendem o outro como uma ameaça e não adotam o diálogo como ignição de uma relação.
De acordo com o site G1, o número de agressões entre vizinhos e funcionários de condomínios e prédios aumentou em todo o Brasil em 2023, tendo como motivação a incapacidade das pessoas de lidar com as situações de conflitos, e partindo para resoluções violentas, ao invés de adotar resoluções embasadas no diálogo e composição pacifica.
As administradoras tentam ler a situação para encontrarem saídas republicanas e civilizadas, e estabelecer códigos de convivência, criando inclusive um perfil das motivações, que estariam baseadas nos “5 Cs”: cachorro, criança, carro, cano d’água e calote. Contudo, com o passar do tempo a análise dos novos conflitos, o fator “barulho” tem subido no ranking das motivações.
De acordo com a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo, durante a pandemia, teria havido um aumento de 300% nas reclamações de brigas em condomínios, tendo diminuído com o avanço do esquema vacinal e o retorno das pessoas para atividades externas.
Entrementes, por mais que façamos força para encontrar motivos e causas para conflitos que, em muitas das vezes, acabam com o assassinato de pessoas, fato é que na centralidade da questão encontra-se o ser humano e sua incapacidade em lidar com diferenças, divergências e com questões relacionais. E para criar essa consciência humanitárias os códigos de condomínios são inócuos.
Série
Cena da série "Os Outros", da Globoplay, que retrata conflitos em um condomínio do Rio de Janeiro Crédito: Globo/Divulgação
Quando se esquece que somos seres relacionais, que somente existimos no coletivo, que as nossas subjetividades são construídas a partir do outro que é diferente de mim, e que esse processo é permanente e não cabe descanso, a vida se torna mais factível e leve.
Engana-se quem se julga autossuficiente. Sofre mais quem se fecha em seus próprios fundamentos. Abdica do lado bom da vida quem se nega ao processo de troca. E produz sofrimento e morte quem adota a violência como forma de se firmar como superior ao outro.
As soluções para as mazelas humanas encontram-se no humano. Por isso que é tão complexo e, por vezes, quase impossível.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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