De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulou alta de 2,5% em quatro trimestres. No segundo trimestre de 2024, pela ótica da demanda, na comparação com o trimestre anterior, ocorreram altas nos três componentes: o Consumo das Famílias e o Consumo do Governo cresceram à mesma taxa (1,3%) e a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 2,1%.
Não é tão difícil entender o que aconteceu. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, “o setor externo tem contribuído negativamente para o crescimento da economia”. Em relação ao segundo trimestre de 2023, o PIB cresceu 3,3%.
O Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de junho de 2024, do Ministério do Trabalho e Emprego, revelou um quadro merecedor de reflexões. Para o conjunto do território nacional, o salário médio de admissão foi de R$ 2.132,82. Em síntese, o emprego celetista no Brasil apresentou expansão, registrando saldo positivo de 201.705 postos de trabalho no mês.
No acumulado do ano, entre janeiro e junho, o saldo foi de 1.300.044 empregos. Grandes grupos de atividades registraram saldos positivos em junho. O Sudeste liderou o saldo positivo de empregos, com 93.681 postos em junho. No Espírito Santo, o saldo positivo foi de 141 postos, ou seja, um saldo positivo de apenas 0,02% em relação ao mês anterior.
O salário médio de admissão foi de R$ 1.959,51 no Espírito Santo, abaixo das médias salariais de admissão do Sudeste e do Brasil. Em relação ao saldo positivo de empregos em junho, o Novo Caged mostrou que ele ocorreu no Brasil em níveis de instrução que não demandaram o ensino superior completo.
Quando se analisa por faixa salarial em junho, o saldo foi negativo para empregos que remuneram acima de dez salários mínimos. O saldo positivo ocorreu nas faixas salariais que remuneram até dois salários mínimos. Alguma surpresa? Conforme vem divulgando o IBGE, a informalidade tem se mantido no patamar de 39% para os trabalhadores ocupados.
A desindustrialização, o empobrecimento da estrutura produtiva, a reforma trabalhista e o enfraquecimento dos sindicatos contribuíram para as perdas dos trabalhadores brasileiros. Enquanto a economia brasileira não for alavancada por setores mais dinâmicos, a geração de empregos continuará concentrada em atividades com menores remunerações.
Podemos até comemorar o aumento do emprego. Demandamos, entretanto, políticas públicas que apoiem efetivamente a sofisticação da estrutura produtiva. Nesse sentido, a qualidade das elites importa, pois elites de baixa qualidade operam modelos de negócios de extração de valor das sociedades. Tal perspectiva nos ajuda a compreender as estruturais e históricas desigualdades extremas que persistem no Brasil.