Em sua coluna publicada no UOL, no dia 23 de julho de 2024, o cientista Carlos Nobre trouxe informações relevantes sobre o debate da emergência climática global. De acordo com Nobre, “as alterações climáticas recentes observadas são generalizadas, rápidas e intensificadas sem precedentes em milhares de anos”.
Citando dados públicos confiáveis e disponíveis, o climatologista afirmou que “a última década foi a mais quente já registrada e o que nos preocupa é que, além de ficar 1,5°C acima da média pré-industrial (1850-1900), junho de 2024 torna-se o décimo terceiro mês consecutivo a ultrapassar o limite de 1,5°C do Acordo de Paris”. Não estamos no caminho da sustentabilidade.
A temperatura global do ar, destacou Nobre, “já atingiu 1,3ºC acima dos níveis pré-industriais (1850-1900)”. Em junho de 2024 foi atingida a maior concentração de dióxido de carbono nesse respectivo mês desde o início das medições e a extensão de gelo marinho do Ártico, por sua vez, foi reduzida em 2,6 milhões de km² desde os anos 1980.
Nobre ponderou que “alguns exemplos de tragédias climáticas recentes no Brasil devido a chuvas severas ocorreram em Minas Gerais, em dezembro de 2021, em São Paulo, em janeiro de 2022, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2022, em Pernambuco, em maio 2022, em São Sebastião (SP), em fevereiro de 2023, no Rio Grande do Sul, em setembro de 2023, no Espírito Santo, em março de 2024, e novamente no Rio Grande do Sul, em maio de 2024”. Não convém negligenciar que, a partir de 2025, a União Europeia levantará barreiras a produtos ligados ao desmatamento, algo que poderá fechar mercado para o agronegócio brasileiro.
Vidas foram perdidas e prejuízos econômicos ocorreram nos episódios acima citados. Afinal, é algo mesmo tão urgente a transição energética? Segundo o climatologista Carlos Nobre, “acelerar e expandir a rápida descarbonização do setor elétrico durante a próxima década é essencial”. Precisamos também acelerar as políticas e práticas de adaptação às mudanças climáticas.
Ainda de acordo com Nobre, devemos buscar “zerar desmatamentos, degradação florestal e incêndios da vegetação na Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Pampas e Mata Atlântica”. O Brasil quer realmente ser líder global na economia orientada para a biodiversidade? Para tanto, temos que combater o “greenwashing”, isto é, a ação de empresas que buscam “maquiar” os seus produtos e tentar passar a ideia de que eles são ecoeficientes, ambientalmente corretos e que derivam de processos sustentáveis.
Um interessante livro foi escrito pelo professor emérito da Universidade de Paris-Sud XI, Serge Latouche. Em ‘Pequeno tratado do decrescimento sereno’, editado pela Martins Fontes, em 2009, o acadêmico deixou claro que “dizer que um crescimento infinito é incompatível com um mundo finito e que tanto nossas produções como nossos consumos não podem ultrapassar as capacidades de regeneração da biosfera são evidências facilmente compartilháveis”.
O acadêmico forneceu exemplos de resistências populares aos “grandes projetos” na Europa, tanto localmente como regionalmente. Ele defendeu a necessidade de uma política pós-desenvolvimento. Em síntese, “sua meta é uma sociedade em que se viverá melhor, trabalhando e consumindo menos”. O mundo está preparado para esse novo cenário, que exigirá uma forte dose de desglobalização?