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Rodrigo Medeiros

Desenvolvimento não deve vir às custas de desigualdades regionais

A desindustrialização precoce e a reprimarização da pauta exportadora trazem preocupações

Publicado em 03 de Maio de 2019 às 21:47

Públicado em 

03 mai 2019 às 21:47
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros
Desenvolvimento regional Crédito: Divulgação

Não há dúvidas de que o Estado do Espírito Santo precisa repensar as suas políticas de desenvolvimento regional. A realidade não é tão diferente em outras unidades federativas. Em artigos anteriores, destaquei a relevância da seguridade social, principalmente para suportar a vida e os negócios no interior. Citei ainda o “Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2009”, do Banco Mundial.

De acordo com o documento, é preciso estar atento para 3Ds quando se pensa em políticas regionais - densidade econômica, distância e divisão. Afinal, “dependendo da escala geográfica, as forças do mercado a serem dominadas ou apoiadas são diferentes”. Economias de aglomeração são inevitáveis em um mundo no qual os retornos crescentes de escala importam.

A dimensão da densidade é a mais importante no âmbito local, pois as distâncias costumam ser relativamente curtas e as divisões políticas e culturais são baixas. Compreender as economias de aglomerações é importante para se evitar efeitos indesejáveis (poluição e macrocefalia urbana). A distância de lugares densos é relevante em uma escala geográfica ampliada. Segundo o Banco Mundial, “o desafio para a política é ajudar as empresas e os trabalhadores a reduzirem sua distância de lugares mais densos”. A divisão, por sua vez, pode restringir a escala das possibilidades de desenvolvimento das sociedades.

Conforme afirma o Banco Mundial, “o desenvolvimento não é uniforme nem linear – em nenhuma escala geográfica”. O processo de desenvolvimento faz com que a produção fique mais concentrada do ponto de vista geográfico e não há garantias de que as desigualdades regionais decresçam automaticamente com o tempo, não seguindo, portanto, a perspectiva teórica da curva em U invertido de Kuznets. O real desafio para os governos é buscar garantir o desenvolvimento social inclusivo e sustentável em um processo que é de natureza desequilibrada.

Entre as interessantes recomendações do documento, consta a regra prática de um “I” para cada “D”. Infraestrutura, instituições e intervenção são elementos relevantes na articulação de políticas de desenvolvimento regional, tendo em vista os 3Ds que devem ser levados em conta. O diagnóstico técnico precisa ser bem claro sobre a quantidade de dimensões do problema a ser enfrentado.

Como estamos buscando nos inserir na globalização a partir da rede de cidades? A desindustrialização brasileira precoce e a reprimarização da pauta exportadora trazem preocupações quanto ao desenvolvimento inclusivo e sustentável.

 

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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