A importância do conceito de “eterno retorno” não é pequena na filosofia nietzschiana. Li certa vez que foi durante um passeio que Nietzsche (1844-1900) refletiu sobre os sentidos das situações que se “repetem” e, com esse conceito, questionou a ordem das coisas. Nesse sentido, deveria causar maior preocupação o fato de que corremos o risco de jogar as crianças para fora da bacia junto com a água suja do banho.
O Brasil precisa passar por ajustamentos. No entanto, atitudes e discursos do tipo tábula rasa são perigosos porque desconsideram os acertos e a necessidade de continuidade e aperfeiçoamentos das políticas públicas de Estado. Comentei anteriormente neste espaço como a rede federal de educação contribui para a formação de qualidade de jovens em nosso país, nos campos das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Destaca-se o Instituto Federal entre nós.
Em relação ao exame do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, em inglês), que é a principal avaliação da educação básica do mundo, com foco em alunos de 15 a 16 anos, os alunos das instituições federais de educação têm bons resultados. A rede federal brasileira pontua como se fosse um país integrante da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre os fatores que contribuem para esse bom resultado, destacam-se a boa remuneração dos professores, a estabilidade da carreira e a aplicação prática de conteúdos.
Do ponto de vista das necessárias reflexões capixabas e suas ações para o desenvolvimento, destaco o projeto “Indústria 2035”, da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). Esse projeto ganha grande relevância no contexto global de transformação em curso de estruturas produtivas para o paradigma da indústria 4.0 (automação com digitalização, flexibilidade e customização). Setores emergentes, estruturais e transversais, incluindo as suas especificidades regionais, demandam ações conjuntas e bem articuladas.
Estado e mercado são complementares no processo de desenvolvimento de países e sociedades. A escolha das proporções adequadas para a participação de um e do outro na economia requer um olhar para além das ideologias extremistas e dos interesses particulares. Em 2022, o Brasil vivenciará o bicentenário da sua independência e há muito a ser construído até lá. Afinal, a ideia de que tudo pode retornar de forma similar nos torna responsáveis por nossas escolhas e atitudes.