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Rodrigo Medeiros

A economia digital exigirá uma nova geração de políticas sociais

Causam preocupação o atraso nacional no campo da economia digital e o projeto político de desnacionalização

Publicado em 20 de Setembro de 2019 às 13:10

Públicado em 

20 set 2019 às 13:10
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros
Economia digital Crédito: Divulgação

Recentemente, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, em inglês) publicou um interessante documento chamado “Digital Economy Report 2019”. Novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, inevitavelmente levarão a uma grande mudança no mercado de trabalho, incluindo o desaparecimento de empregos em alguns setores e a criação de oportunidades em outros, em grande escala.

A economia digital demandará habilidades novas, uma nova geração de políticas de proteção social e novas relações entre trabalho e lazer. Esse tempo irá requerer um grande investimento em educação, enraizado no aprendizado contínuo.

O documento da Unctad busca examinar as implicações da economia digital emergente para os países em desenvolvimento em termos de criação e captura de valor. Nesse contexto, destacam-se EUA e China com 90% da capitalização de mercado das 70 maiores plataformas digitais, enquanto a África e a América Latina somam apenas 1%.

De acordo com a Unctad, “alguns dos atritos comerciais atuais refletem a busca de domínio nas áreas de tecnologia de fronteira”. Nesse mesmo sentido, a perspectiva de acirramento de uma guerra comercial entre os EUA e a China deveria provocar maiores reflexões na intelligentsia brasileira. Afinal, a expansão global da economia digital cria oportunidades e desafios sociais. O importante tema da transformação digital, por exemplo, está colocado na agenda das organizações produtivas de bens e serviços, inclusive no Brasil.

As lógicas das economias de escala e de escopo ainda são válidas nas disputas por mercados nos quais os efeitos de redes e de concentração operam. Plataformas digitais globais, por sua vez, tomaram medidas para consolidar posições competitivas, incluindo a aquisição de concorrentes em potencial e a expansão de produtos ou serviços complementares. Na cadeia global digital, muitos países podem se encontrar em posições subordinadas, com valor e dados concentrados em poucas plataformas de firmas multinacionais líderes.

Um projeto de desenvolvimento em países retardatários demandará que os seus líderes pensem fora da zona de conforto. Segundo a Unctad, “a evolução da economia digital exige pensamento econômico não convencional e análise de políticas”. Do ponto de vista democrático, tendo em vista a evolução do contexto político no Brasil desde junho de 2013, causam preocupação o atraso nacional nesse campo da economia digital e o projeto político de desnacionalização da economia brasileira.

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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