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Tecnologia

Entenda por que a inteligência artificial é assunto de todos

Especialistas já disseram que o uso da IA mudará praticamente todas as profissões. Tão importante quanto estudar as disciplinas de cursos de Engenharia, Direito, Economia, Medicina, etc, será o treinamento do estudante universitário no uso de IA

Publicado em 05 de Fevereiro de 2025 às 02:30

Públicado em 

05 fev 2025 às 02:30
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti

Há muito tempo não se via um impacto tão grande no mercado financeiro mundial como o causado pelo anúncio de que a empresa chinesa DeepSeek desenvolveu um modelo de inteligência artificial mais barato e tão eficiente quanto os das maiores empresas do ramo - Nvidia, Oracle, Microsoft, Meta (dona de Facebook, WhatsApp e Instagram) e Alphabet (dona do Google), todas norte-americanas.
Investidores venderam ações dessas empresas, o que levou a uma queda acentuada nos preços delas. Especialistas calculam que, somados os valores de mercado dessas companhias, a desvalorização foi equivalente a US$ 1 trilhão. Esse terremoto sacode agora os grandes investidores, mas essa não é uma questão apenas deles, ou dos governos dos Estados Unidos e da China, mas de todos nós. A IA vai afetar nossas vidas num futuro bem mais próximo do que pensávamos.
O abalo no mercado é proporcional à importância dessa conquista. A inteligência artificial está cada dia mais presente no nosso cotidiano. Qualquer um já viu, em seus telefones celulares ou navegadores de internet no computador, avisos sobre ferramentas de IA disponíveis.
O uso de IA no dia a dia do trabalho e dos negócios só crescerá. A IA poderá nos ajudar a fazer mais com menos esforço, reduzirá o tempo de trabalho em diversas tarefas, proporcionará resultados que hoje não conseguimos, entre muitas outras coisas. Mas isso não é simples de alcançar.
Para tirar o melhor de ferramentas de IA é preciso saber, antes de tudo, perguntar: quanto mais se souber o que se quer, aonde se quer chegar, quanto melhores e mais detalhadas forem as perguntas feitas para a máquina, quanto mais dados forem inseridos nela, melhores serão as respostas, melhor será o resultado. Só que nós não fomos treinados para isso; teremos de ser, teremos de aprender.
Especialistas já disseram que o uso da IA mudará praticamente todas as profissões. Tão importante quanto estudar as disciplinas de cursos de Engenharia, Direito, Economia, Medicina, etc, será o treinamento do estudante universitário no uso de IA.
Em pouco tempo, esse conhecimento será tão relevante quanto dominar as habilidades normais das suas áreas. Afinal, um diagnóstico médico, a busca por um entendimento jurídico num contrato complexo entre grandes empresas, a análise de um plano de investimentos, em tudo haverá IA.
Deepseek, chat de inteligência artificial chinês, pode ser acessado por site ou aplicativo
Deepseek, chat de inteligência artificial chinês, pode ser acessado por site ou aplicativo Crédito: Álvaro Guaresqui/Rede Gazeta
Quem tem um negócio vai precisar acrescentar a IA à sua atividade rotineira. Pode ser para fazer um plano de negócios, para estudar alternativas de redução de custos, fluxo de caixa, pesquisas de mercado… enfim, qualquer atividade ligada ao empreendimento. A aplicação da IA vai depender da criatividade de cada um. Não é uma questão de pensar se essa tecnologia pode ser usada, mas de como vai ser usada.
Ter um negócio significa estar disposto a enfrentar mudanças para sobreviver e prosperar. Aprender a usar IA já é uma necessidade. Quem não fizer isso poderá ser atropelado pela concorrência. Não será uma opção, mas uma obrigação.
Como vimos na semana passada, o mercado financeiro internacional está sendo impactado pelo potencial dos produtos que as gigantes de tecnologia - as “big techs” - podem desenvolver. Todos nós seremos afetados pelo uso destes produtos por nossos colegas de trabalho, parceiros de negócios, concorrentes. É hora de aprender e incorporar a inteligência artificial.

Rafael Furlanetti

Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo

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