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Análise

Regina Duarte desapareceu mais rápido que o "pum do palhaço"

Ex-atriz e agora ex-secretaria de cultura do governo Bolsonaro, Regina Duarte nada fez em dois meses a não ser destilar ódio e defender a ditadura em rede nacional

Publicado em 20 de Maio de 2020 às 13:47

Públicado em 

20 mai 2020 às 13:47
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz Rafael Braz
Regina Duarte e Jair Bolsonaro em vídeo que oficializou sua saída do governo Crédito:
Regina Duarte foi a secretária perfeita para o governo Jair Bolsonaro: não fez absolutamente nada a não ser desviar a atenção dos críticos. Não foi um “sopro de bom senso” e nem sequer o “pum do palhaço” para a cultura brasileira. Seu maior destaque foi a constrangedora entrevista à CNN Brasil, o que, quem diria, conseguiu tirar o foco de questões mais graves envolvendo o governo federal.
A ex-atriz global passou seus dois meses de governo com medo, o mesmo medo que afirmou ter em 2002, quando tentou utilizar sua imagem, à época em alta, contra a campanha de Lula à presidência. O medo agora era de ser questionada, de que lhe cobrassem bom senso ou até mesmo um pouco de lógica em suas declarações; o medo de ser cobrada por seus pares, como fez Maitê Proença na já citada entrevista. Maitê, vale ressaltar, não é “petista, esquerdista ou comunista”, a atriz, que assim como Regina até hoje recebe pensão do governo por ter pai desembargador falecido (o de Regina era militar) e se manteve civilmente solteira para não perder o direito à pensão, sempre foi alvo de críticas da atual oposição. Maitê teve apenas… bom senso.
A agora ex-secretária de Cultura nunca teve noção do que é a cultura, apenas viveu no mundo fantasioso de suas Helenas no Leblon de Manoel Carlos. Regina não entendia o mecanismo da cadeia cultural, que gira, se sustenta e rende impostos ao governo; ela escolheu não entender que há arte de todos os tipos, não apenas para agradar à maioria. Em entrevista a Ernesto Paglia ao “Fantástico”, mandou um “eles que lutem” para as minorias ao dizer que “Você não vai fazer filme pra agradar a minoria com dinheiro público” quando questionada sobre a guinada conservadora do governo para coibir formas de manifestação artística. Ela completou: “todos estão livres para se expressar, contanto que busquem patrocínios na sociedade civil”.
Regina nunca entendeu que o dinheiro que ela diz ser “público”, do Fundo Setorial do Audiovisual, não é público, ele apenas é administrado pelo governo. A principal fonte de receita do fundo é a própria atividade audiovisual, pela arrecadação da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional). O setor audiovisual movimenta anualmente mais de R$ 20 bilhões, gera empregos diretos e indiretos, e a cada R$ 1 investido, traz um retorno de R$ 2,60 em tributos.
Regina escolheu o obscurantismo de seu antecessor, Roberto Alvim, o sujeito que copiou um discurso nazista e de quem ninguém se lembra. Ela manteve os projetos dele e só foi interrompida pela pandemia do coronavírus. Ela escolheu defender a ditadura que matou, torturou e cerceou as artes em rede nacional.
A tal entrevista foi tão constrangedora, que nem amigas a pouparam de críticas. Elisa Lucinda, que Regina veio prestigiar em Vitória quando foi tema de escola de samba, escreveu: “Que tristeza assistir a Regina exposta assim. Desconectada da Pandemia , das mortes. Brigando com jornalistas,perguntando autoritariamente “quem é vc?”!!!! Que vergonha.Subestimando a tortura que assassinou tantos contemporâneos dela... tanta gente importante na arte” (sic). A atriz e poeta capixaba logo foi respondida por Vera Fischer: “A Regina enlouqueceu!!!”
Não acredito que colocar as escolhas da atriz no campo da saúde mental seja justo. Regina Duarte fez suas escolhas, tinha ciência disso, e talvez apenas tenha se aproveitado da oportunidade para mostrar o que sempre foi, no que sempre acreditou. Ela não sai do governo por “saudades da família”, sai porque não deveria ter entrado, sai fritada, desgastada, tanto com o governo quanto com a classe artística e sua antiga audiência.
Vai para a Cinemateca Brasileira, onde ninguém, funcionários e o atual superintendente, sabia de sua chegada. A Cinemateca passa por uma crise desde 2013, quando o então Ministério da Cultura retirou sua autonomia. Atualmente, luta por repasses federais - ainda não recebeu nenhuma parcela do orçamento de R$ 12 milhões anuais deste ano. Trata-se do maior acervo de audiovisual da América do Sul largado às traças e agora sob o comando de Regina Duarte…
E a Secretaria Especial de Cultura? Calma… vem aí o ex-"Malhação" Mario Frias, apoiador de Bolsonaro que se ofereceu para a vaga em entrevista a um canal de notícias.

Rafael Braz

Rafael Braz Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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