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Crítica

"Lost Girls", da Netflix, traz novo olhar para crimes reais

Filme "Lost Girls - Os Crimes de Long Island" resgata a história de prostitutas assassinadas. Trama é contada a partir do olhar da mãe de uma delas.

Publicado em 19 de Março de 2020 às 21:33

Públicado em 

19 mar 2020 às 21:33
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme "Lost Girls - Os Crimes de Long Island" Crédito: Jessica Kourkounis
As séries documentais sobre crimes reais foram um dos pilares da construção da popularidade da Netflix. De “Making a Murderer” a “Wild Wild Country”, passando por “Killer Inside”, “The Disappearance of Madeleine McCann”, “Crimes Arquivados” e até pela brasileira “Bandidos na TV”, o serviço de streaming entendeu que o público se interessa pelos detalhes sórdidos de casos curiosos ou mal resolvidos. O que prende o espectador e faz com que ele volte é a vontade de bancar o “detetivão”, sempre atento a algum detalhe que a investigação possa ter deixado passar, e a proximidade com um lado da natureza humana normalmente distante. Com isso em mente, surpreende que o recém-lançado “Lost Girls - Os Crimes de Long Island” não seja um documentário.
Todo o cenário estava montado: uma documentarista (Liz Garbus) contando uma história real sobre uma mãe desesperada em busca da filha desaparecida, prostitutas assassinadas e descaso policial. Apesar de todo o exposto, “Lost Girls” é uma dramatização da história, o primeiro filme não-documental da carreira de Garbus.
O roteiro conta a história pelo ponto de vista de Mari Gilbert (Amy Ryan), cuja filha mais velha, Shannan, não aparece para um jantar ou retorna as ligações. Ela procura a polícia, mas tem pouco ou nenhum retorno; boa parte da má-vontade se deve à profissão de Shanna: prostituta. Só quando outros corpos de mulheres são encontrados é que a polícia resolve dar alguma atenção ao caso comandado pelo comissário Dorman (Gabriel Byrne).
Mari resolve fazer sua própria investigação e parte em busca da verdade. No processo, porém, ela sacrifica sua vida e sua relação com as filhas mais novas, Sherre (Thomasin McKenzie, de “Jojo Rabbit”) e Sarra (Oona Lawrence), que visivelmente requer atenção especial.
“Lost Girls”, como dito anteriormente, tinha tudo para ser uma ótima série documental sobre o tal assassino de Long Island, acompanhando toda a negligência da polícia com o caso, as reviravoltas e a dor não só da família de Shannan, mas também das famílias das outras assassinadas. Como drama, o filme de Liz Garbus falha ao não emocionar o espectador.
Filme "Lost Girls - Os Crimes de Long Island" Crédito: Jessica Kourkounis
O filme não funciona como um policial procedural, daqueles em que acompanhamos todos os passos da polícia - na verdade, funciona praticamente como o oposto - e não tem a carga emocional das adaptações dos livros de Dennis Lehane, como “Sobre Meninos e Lobos” (2003) e “O Preço da Verdade” (2007), por exemplo.
Ao escolher acompanhar somente Mari e, posteriormente, outros familiares, o roteiro exclui a dúvida de sua narrativa. O texto é linear e mesmo acompanhando Mari durante 90 minutos, não consegue mergulhar o espectador na dor de uma mãe solteira com dois empregos, uma filha desaparecida e outras duas para criar. Até a crítica sobre a maneira como os policiais lidaram com o caso se restringe a “homens não se importam com mulheres”.
“Lost Girls” tem boas ideias e boas atrizes, mas o roteiro e a direção não conduzem a trama como deveriam. Há, vale ressaltar, bons momentos, uma maneira diferente e muito menos sensacionalista de se tratar uma história sobre um crime real, mas falta profundidade - a empatia com a protagonista vem mais com as informações ao fim do filme do que com a narrativa.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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