Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crítica

"Alma": série de terror da Netflix tem ótimas viradas

Cheia de reviravoltas e com ótimos ganchos, série espanhola "Alma" tem ótimo início, mergulha no melodrama, mas se recupera bem em sua reta final

Publicado em 23 de Agosto de 2022 às 18:42

Públicado em 

23 ago 2022 às 18:42
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz Rafael Braz
Série espanhola
Série espanhola "Alma", da Netflix Crédito: QUIM VIVES/NETFLIX
É uma pena que a série espanhola “Alma” tenha tido seu lançamento na Netflix ofuscado por outra obra voltada para um mesmo público, a péssima “Echoes”. Criada pelo roteirista Sergio G. Sanchez (dos bons “O Impossível” e “O Orfanato”), “Alma” é muito superior à série estrelada por Michelle Monaghan (o que não é muito difícil) e se aproxima narrativamente de obras como “Dark” e “Equinox”, com mistérios, folclore europeu e um muito bem-vindo clima inicial de estranhamento.
A série espanhola inicialmente mostra um grupo de jovens em uma viagem para comemorar o término do ensino médio. Somos brevemente apresentados a eles e algumas das relações saídas daquele grupo, tudo em recortes, de forma estranha, mas já destacando quem serão os personagens que terão importância na série. No caminho de volta para a pequena cidade em que moram, o ônibus que os leva encontra uma densa neblina e acaba sofrendo um trágico acidente que causa a morte de vários jovens.
No hospital, Alma (Mireia Oriol) acorda muito machucada e em total amnésia - não reconhece seus pais e não faz ideia do ocorrido. O primeiro episódio é muito eficaz em construir a dúvida e o mistério, com estranhos acontecimentos que podem ou não ser frutos do trauma sofrido pela personagem-título e com arcos de outros personagens importantes, como Tom (Álex Villazán), desenvolvidos sem pressa.
“Alma”, a série, depende de que o espectador se sinta na pele de Alma, a protagonista, para que sua narrativa ganhe força. Às voltas com os traumas do acidente e praticamente reconstruindo sua identidade a partir do que outras pessoas lhe contam, Alma é uma folha em branco e passamos a enxergar tudo a partir daquele ponto, tão perdidos quanto ela. Quando o primeiro episódio chega ao fim, é impossível não seguir em frente.
Principalmente em seu primeiro ato, a série usa muito bem os ganchos para prender o espectador. Os episódios constroem tensão a partir da dúvida e usa alguns sustos bem ao estilo jump scare para lembrar o público da essência de terror da história. Desde o início o texto abre cada episódio com trechos de contos folclóricos sobre profecias, maldições e organizações secretas que obviamente se conectarão ao arco principal. Essa pegada mais de terror folclórico faz lembrar a ótima dinamarquesa “Equinox”, mas sem a mesma complexidade - esse clima, porém, é abandonado com o tempo.
Após introduzir seu universo, seus personagens, construir dinâmicas e estranhezas, “Alma” desacelera e parte para um melodrama com ares de terror sobrenatural. O roteiro passa a se dedicar às relações entre aqueles jovens, pois são elas as responsáveis por tudo na série. Assim, aos poucos vamos entendendo mais sobre tudo o que aconteceu e as consequências do acidente para cada jovem.
Série espanhola
Série espanhola "Alma", da Netflix Crédito: QUIM VIVES/NETFLIX
Essa desacelerada quebra o ritmo narrativo e mergulha “Alma” em uma breguice que segue até o fim, mas não extingue o terror - a série tem algumas sequências bem gráficas e brevemente gore. O roteiro brinca com a nossa expectativa, nos conduzindo e até nos enganando para alguns caminhos e pistas antes de sua grande virada. É interessante como essa virada não é guardada para os episódios finais, dando ao texto tempo para desenvolver as consequências e o peso daquela informação; ao mesmo tempo, o espectador digere o que acabou de consumir.
É bom notar como a grande revelação é ensaiada pela série antes e se encaixa com o que foi visto até aquele momento. O roteiro espalha pistas e cenas aparentemente de pouca importância, mas que se conectam adiante e potencializam a surpresa que talvez até já fosse esperada, mas dificilmente da forma como ocorre. É justamente pela eficiência prévia da condução do roteiro que o excesso de didatismo utilizado posteriormente para explicar tudo o que foi mostrado até aquele ponto incomoda.
Série espanhola
Série espanhola "Alma", da Netflix Crédito: QUIM VIVES/NETFLIX
Após a virada, a série tem momentos enfadonhos ao nos obrigar a rever muito do que já foi mostrado, mas agora sob outro olhar e com novas informações. Essa recontextualização até funciona e acrescenta novas camadas à história, mas poderia ser mais curta, o que enxugaria a série.
Com nove episódios, “Alma” se prolonga muito mais do que o necessário e se perde nos melodramas de seu segundo ato. Quando reencontra o ritmo, nos episódios finais, a série de Sergio G. Sanchez se torna novamente mais atrativa e ágil - apesar de um pouco mais longos, os episódios finais são menos cansativos que os do meio da temporada.
Série espanhola
Série espanhola "Alma", da Netflix Crédito: QUIM VIVES/NETFLIX
Ao fim, “Alma” é uma boa série de terror sobrenatural, com ótimas fotografia e trilha sonora que ajudam a construir a tensão necessária para a história. A série não é perfeita e funcionaria melhor como uma minissérie, mas, à medida que o fim se aproxima, fica claro haver desejo de novos e desnecessários arcos. A jornada de Alma, na qual a série da Netflix se sustenta, se resolve de forma plenamente satisfatória. Sem o arco da protagonista e a estranheza inicial, uma segunda temporada talvez seja uma grande perda de tempo construída em torno do que há de mais descartável na série.

Rafael Braz

Rafael Braz Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Sonda NS-42 (ODN-II)
Petrobras anuncia descoberta de óleo na Margem Equatorial brasileira
Agressões envolveram uso de um pedaço de bambu.
Briga entre mãe de aluna e monitora de ônibus escolar termina na delegacia em Aracruz
Ponte Florentino Avidos, em Colatina. Obras vão aumentar a capaciade da via
Colatina recebe alerta de chuvas intensas com rajadas de vento e granizo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados